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Casa Branca reage à vitória Netanyahu criticando a sua "retórica divisória"

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Kevin Lamargue/Reuters

A inesperada vitória do partido do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, deverá levar à manutenção da relação mais conturbada entre Israel e os Estados Unidos, que poderá só vir a ser alterada após a saída de Obama da presidência norte-americana. 

A Casa Branca reagiu à vitória do partido Likud, que irá assegurar a recondução de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro israelita, manifestando uma profunda preocupação pela sua posição contra negociações para a criação de um Estado Palestiniano e por ter recorrido a uma "retórica divisória" contra aos eleitores árabes minoritários durante o ato eleitoral.  

"Os Estados Unidos e esta administração estão profundamente preocupados com a retórica que procura marginalizar os cidadãos árabes israelitas", afirmou o assessor de imprensa do Presidente norte-americano, Josh Earnest.  

No dia das eleições, Netanyahu surgiu num pequeno vídeo a avisar que os eleitores árabes israelitas estavam a ser transportados até às urnas de voto como "manadas". 

"A retórica que procura marginalizar um segmento da população é profundamente preocupante, é divisória, e eu posso dizer que esta é a perspectiva que o Governo pretende transmitir diretamente aos Israelitas", considerou o assessor de Barack Obama.  

"Mina os valores e os ideais democráticos que têm sido tão importantes para a nossa democracia e uma parte importante do que une os Estados Unidos e Israel", acrescentou.

Contatos com Netanyahu serão efetuados por John Kerry 

Barack Obama ainda não telefonou a Netanyahu a felicitá-lo pela vitória, mas o seu assessor referiu que o Presidente deverá contactá-lo nos próximos dias, e explicou que tal não consiste em nenhuma forma de desagrado, pois nas suas duas anteriores eleições também só o contactou após o futuro primeiro-ministro ter sido convocado pelo Presidente israelita para formar Governo.  

Entretanto, o secretário de Estado norte-americano John Kerry, que teve um importante papel nas anteriores negociações para o processo de paz do Médio Oriente, deu os parabéns a Netanyahu, num curto telefonema, segundo referiram fontes oficiais norte-americanas ao "The Guardian".

Apesar do ambiente tenso, os dois países irão manter um forte relacionamento, segundo referiu o "The New York Times", também com base em informações de fonte oficiais norte-americanas, que explicaram que os contatos com o primeiro-ministro israelita serão efetuados sobretudo através de John Kerry, com quem possui um melhor relacionamento do que com Obama.  

Diversos analistas consideram, aliás, que as atuais conturbadas relações entre os dois países só poderão conhecer uma alteração significativa após a eleição do sucessor de Obama. 

A relação entre o Presidente norte americano e o chefe de Governo israelita deteriorou-se significativamente no último ano. Ao fim das negociações israelo-palestinianas que eram apoiadas pelos Estados Unidos, em abril do ano passado, seguiram-se os bombardeamentos levados a cabo por Israel durante semanas sobre a Faixa de Gaza. Ao que se somou, no inicio deste mês, a intervenção que Netanyahu no Congresso norte-americano contra um acordo com o Irão para a energia nuclear, numa posição antagónica à assumida por Obama.