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Cartoonista do "Charlie Hebdo" vai parar de desenhar Maomé

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A capa da primeira edição da revista após o massacre, desenhada por Luz, mostrava Maomé, comk uma lágrima no olho, a dizer "tudo está perdoado"

Aurelien Meunier/Getty Images

Luz foi o autor da capa da edição da revista satírica francesa que saiu logo a seguir ao massacre de janeiro, na redação em Paris.

Luís M. Faria

Jornalista

"Não vou mais desenhar a figura de Maomé. Já não me interessa". Com estas palavras, o cartoonista francês Renald Luzier, que assina os seus trabalhos com Luz, acaba de fazer um anúncio importante.

Foi ele que desenhou a capa da histórica edição que a revista satírica "Charlie Hedbo" publicou logo a seguir ao massacre de doze pessoas na redação onde se preparava a próxima edição. Os assassinos eram radicais islâmicos, indignados com o que viam como tratamento desrespeitoso do seu profeta. A capa então desenhada por Luz mostrava Maomé, com uma lágrima no olho, a dizer "tudo está perdoado". Mas o desenhador sugere que está a precisar de mudar de tema. "Cansei-me de desenhar Maomé, como antes me cansei de desenhar Sarkozy. Não vou gastar a minha vida a desenhá-los", diz agora. O "Charlie Hedbo", que antes tinha uma circulação de cerca de sessenta mil exemplares, subiu para oito milhões nos últimos meses, após a onda internacional de solidariedade em resposta aos trágicos eventos de janeiro, na redação da revista em Paris.