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Internacional

Cancro ligado a próteses mamárias faz segunda vítima em França

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Implante mamário produzido pela Poly Implant Prothèse

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP/Getty Images

Duas mulheres morreram de um cancro raro ligado a implantes mamários. Autoridades francesas tentam evitar o pânico.

Um cancro raro associado a implantes mamários terá feito uma segunda vítima mortal, num momento em que a doença foi já diagnosticada em 19 mulheres. A notícia foi dada na quarta-feira pela revista de saúde Allodocteurs.fr.

A doença em causa chama-se linfoma anaplásico de grandes células e está a ser investigada em França. O primeiro caso mortal ocorreu em 2011, vitimando uma mulher que tinha colocado um implante da marca PIP (Poly Implant Prothèse). A mulher cuja morte foi noticiada ontem usava uma prótese de outra marca, segundo o diário "Le Monde".

O caso está a preocupar as mulheres que têm próteses mamárias (400 mil em França, 83% das quais por motivos estéticos). O Instituto Nacional do Cancro (INC) organizou uma reunião sobre o assunto no início do mês. Desde então foram comunicados à Agência Nacional de Segurança dos Medicamentos (ANSM, equivalente ao Infarmed português) mais 17 casos da doença em pessoas com próteses mamárias.

A ministra da Saúde francesa pediu, no entanto, que as pessoas que utilizam estes implantes "não cedam a uma inquietude excessiva" e desaconselhou a sua remoção. A presidente do INC disse à agência France Presse que o linfoma em causa "tem, na maioria dos casos, um bom prognóstico".

"Ligação claramente estabelecida" 

O Ministério da Saúde colocou na Internet um documento de esclarecimento, não só sobre este linfoma como sobre os cuidados a ter com o rastreio do cancro da mama, as palpações periódicas a partir dos 25 anos e mamografias bienais a partir dos 50.

O linfoma anaplásico de grandes células é uma forma muito rara de cancro do sistema linfático. Haverá 173 casos a nível mundial, segundo um estudo publicado em 2014. Peritos franceses propuseram à Organização Mundial da Saúde que criasse uma nova denominação para esta doença. "Existe uma ligação claramente estabelecida entre o surgimento desta patologia e o uso de um implante mamário", explicam num relatório. A doença afeta, segundo o documento, uma a duas mulheres por cada 10 mil portadoras de implantes mamários, uma prevalência baixa que dificulta a extrapolação estatística.

O escândalo ligado à marca PIP, que rebentou em 2010, levou à retirada de próteses defeituosas do mercado e suscitou processos judiciais. Com o caso reaberto, a ANSM vai criar um grupo de peritos para estudar o assunto e lançar inspeções aos fabricantes.