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Caixões de protesto e gás lacrimogéneo: manifestações prosseguem na América

Os manifestantes atravessaram a ponte de Brooklyn

Michael Nagle/EPA

Milhares de pessoas manifestaram-se pela segunda noite consecutiva em várias cidades dos EUA contra o não indiciamento do polícia aparentemente responsável pela morte por asfixia do negro Eric Garner. Em Nova Iorque, a polícia lançou gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes, dezenas dos quais foram detidos.  

Os protestos começaram na hora de ponta de quinta-feira e foram crescendo ao longo da noite. Pela segunda noite consecutiva milhares manifestaram-se em Nova Iorque, Boston, Chicago, Pittsburgh e Washington, em protestos contra a violência policial motivados pela decisão de quarta-feira de não indiciar o agente nova iorquino Daniel Pantaleao que terá sido responsável pela morte de Eric Garner.

Garner, um negro com excesso de peso que sofria de asma, morreu a 17 de julho último, quando vários agentes da polícia tentaram detê-lo em Staten Island, Nova Iorque. Acusavam-no de vender tabaco ilegalmente, facto que Garner negou (embora já o tivesse feito).

Ao recusar-se a ser algemado, os polícias decidiram imobilizá-lo, tendo um deles feito uma "gravata" com o braço à volta do pescoço de Garner. Este queixou-se repetidas vezes de não conseguir respirar - como atesta um vídeo feito por transeunte com o telemóvel -, mas os agentes não reagiram, continuando a pressionar a sua cabeça e peito contra o chão. Acabou por morrer sufocado, segundo a autópsia, depois de mais de cinco minutos inconsciente, sem quaisquer manobras de reanimação.

Ontem, os maiores protestos tiveram lugar em Nova Iorque, onde milhares de pessoas desfilaram de Manhattan até Brooklyn, levando à interrupção do tráfico de algumas das principais artérias e da ponte de Brooklyn. Muitos traziam caixões com o nome de vítimas de violência policial, deitando-se e fingindo de mortos junto dos mesmos, bloqueando a circulação. A polícia utilizou gás lacrimogéneo para os dispersar e efetuou dezenas de detenções. "Quem protegem vocês?", gritaram alguns, no momento em que a polícia avançou.

Em Washington também houve desfiles nas principais artérias. Os manifestantes circularam até junto da Casa Branca, na altura em que o Presidente Obama celebrou o acender das iluminações natalícias. Em Boston, mais de mil pessoas organizaram uma manifestação que coincidiu com o acender da iluminação da árvore de Natal da cidade.

Polícias de Nova Iorque vão ter câmaras corporais 

O presidente da Câmara de Nova Iorque, Bill de Blasio, declarou que os 22 mil agentes policiais da cidade vão ser instruídos no sentido de melhorarem a comunicação e de manterem a calma durante os processos de detenções e que vão passar a levar consigo câmaras corporais, que registem a sua atuação.

Obama felicitou o anúncio dessas medidas e afirmou: "Demasiados americanos sentem na pele as injustiças devidas à não correspondência entre os nossos ideais e o modo como as leis são aplicadas no quotidiano". Uma nova marcha foi anunciada para Washington a 13 de dezembro, organizada conjuntamente com uma conferência sobre direitos cívicos.

Esta onda de indignação contra a violência policial segue-se à que percorreu a localidade de Ferguson, Missouri, na semana passada, após a absolvição de Darren Wilson, o agente da polícia que matou a tiro o adolescente negro Michael Brown, em agosto. 

Mas os casos não param de se acumular. Na semana passada Tamir Rice, um miúdo de 12 anos, também negro, foi morto a tiro por um polícia em Cleveland, Ohio, quando passeava com uma arma de brincar que o agente tomou por uma arma real. Terça-feira passada, em Phoenix (Arizona), o negro Rumain Brisbon, de 34 anos, foi morto a tiro pela polícia, quando estava desarmado. O agente confundiu uma caixa de comprimidos com uma arma.