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"Cachorros do Califado". Menores decapitam nove xiitas em nome do Estado Islâmico

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Crianças recrutadas pelo autoproclamado Estado Islâmico decapitaram nove muçulmanos xiitas na Síria, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Estas fazem parte de uma estratégia do movimento jiadista, que recruta menores, apelidados de "cachorros do Califado".

Para o autoproclamado Estado Islâmico (EI) são os "cachorros do Califado". Mas não passam de crianças, menores de 18 anos, mas recrutadas pelo movimento jiadista para combaterem por Alá. Este domingo, sabe-se que algumas voltaram a matar. 

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) explicou, em comunicado, que teve acesso a um vídeo no qual surgem crianças a decapitar nove adultos, por alegadamente pertencerem ao islamismo xiita. Esta é, de acordo com a Organização Não Governamental (ONG) a primeira execução em massa perpetrada por menores, da qual se tem conhecimento.

As crianças, oito das quais surgem encapuzadas, levavam também consigo metralhadoras automáticas. No vídeo vê-se uma delas a distribuir facas pelas restantes, que acabariam por decapitar os nove homens. 

"Não esqueceremos o que o regime fez nos anos 80, em Hama, e não esqueceremos qualquer gota de sangue sobre esta terra sagrada", afirmou um porta-voz do movimento extremista, referindo-se ao massacre realizado pelo regime sírio em Hama, em 1982, contra uma rebelião do grupo islamita sunita Irmandade Mulçumana. "Queremos vingança".  

Desde o início do ano pelo menos 400 crianças foram recrutadas e treinadas pelo autoproclamado Estado Islâmico, de acordo com o OSDH. O grupo extremista tem pontos de recrutamento nas cidades de Al Mayadin e Abukamal, no leste da província síria de Deir al Zur, recrutando-as perto de escola e mesquitas. Todas recebem formação militar e religiosa, sendo obrigadas a assistir a execuções e castigos do EI.  

"Penso que falar de crianças que aderem ao Estado Islâmico não é uma boa forma de colocar a questão", afirmou ao OSDH Charlie Winter, investigador do think tank anti-terrorismo Quilliam, sublinhando que por serem menores de idade não têm uma real e consciente capacidade de escolha.