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Bruxelas vai avançar com queixa contra a Google

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FOTO REUTERS

A Comissão Europeia vai acusar a gigante tecnológica de abuso da posição dominante, arriscando multas que podem atingir 10% da sua faturação anual.

Após mais de quatro anos de investigação, a instituição liderada por Jean-Claude Juncker vai avançar esta quarta-feira com uma queixa formal contra a Google por abuso da posição dominante. A notícia é avançada pelo jornal "Financial Times", que cita duas fontes de Bruxelas, sublinhando que a gigante tecnológica arrisca-se a multas que podem atingir 10% da sua faturação anual.

Além disso, a Google deverá ser obrigada a mudar a forma como são obtidos os resultados de pesquisas na internet através do seu motor de busca.

A comissária europeia da concorrência, Margrethe Vestager, vai anunciar a decisão durante a conferência de imprensa que se seguirá hoje à reunião semanal em Bruxelas, onde os assuntos da concorrência são discutidos, refere a AP.

Segundo adianta o "Financial Times", a queixa contra a Google deverá ter como alvo as pesquisas através do seu motor de busca, uma vez que Bruxelas considera que a empresa está a favorecer os seus serviços face ao dos seus rivais.

Por outro lado, será também lançada uma investigação sobre o sistema operativo Android para smartphones, de forma a averiguar se o software permite vantagens "desleais" para o Google.

A tecnológica de Silicon Valley já comunicou aos seus colaboradores, que a empresa deverá ser alvo de uma queixa por parte de Bruxelas. "Isto são obviamente más notícias sobretudo para a equipa de pesquisa que trabalhou tanto para proporcionar uma grande experiência para os utilizadores nos últimos 16 anos", informou a empresa à equipa.

A Google - que já fez saber que está em "forte desacordo" com o organismo comunitário - terá 10 semanas para responder à queixa.

Investigação remonta a 2010

A investigação sobre a Google remonta a novembro de 2010, após queixas de várias empresas europeias que acusavam a empresa de "concorrência desleal". A 6 de fevereiro de 2014, o então comissário da concorrência Joaquín Almunia anunciou um princípio de acordo com a Google, depois de a tecnológica garantir que aceitava alterar alguns procedimentos no velho continente. No entanto, os ministros da Alemanha e da França acabaram por travar o acordo.

Entre outros aspetos, a Google deverá agora comprometer-se a mostrar no seu motor de busca os serviços de concorrentes de forma mais visível e não insistir em acordos de exclusividade ao nível publicitário.

Este poderá ser o maior processo de Bruxelas desde aquele que foi instaurado contra a Microsoft, que valeu multas na ordem de 1,8 mil milhões de euros (2 mil milhões de dólares).