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Bruxelas insatisfeita com progressos nas negociações com a Grécia

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Yanis Varoufakis tem apresentado várias listas de reformas aos credores internacionais, mas o entendimento em torno do conteúdo das mesmas continua a ser escasso

CHARLES PLATIAU/Reuters

A Comissão Europeia não está satisfeita com "a falta de progressos" nas negociações entre as autoridades gregas e os credores. Bruxelas deposita esperança nas reuniões desta quinta-feira em Washington.

Susana Frexes, em Bruxelas

As conversas continuam mas sem resultados convincentes. Esta quinta-feira, a Comissão Europeia fez saber que não está satisfeita com os "progressos feitos" nas negociações técnicas entre as autoridades gregas e os representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão e Banco Central Europeu.

 

Segundo o porta-voz do executivo comunitário Margaritis Schinas, "o trabalho tem de se intensificar antes do Eurogrupo informal de 24 de abril, que será a próxima oportunidade para os ministros das Finanças fazerem um balanço da situação".

 

Na próxima semana, os ministros das Finanças dos países com moeda única reúnem-se em Riga, capital da Letónia, mas é cada vez menos provável que tomem uma decisão que permita desbloquear o dinheiro que resta no programa de assistência financeira à Grécia: 7,2 mil milhões de euros.

 

As negociações arrastam-se desde 20 de fevereiro, data em que foi assinado o acordo de extensão do resgate grego. As autoridades helénicas têm apresentado várias listas de reformas, mas o entendimento em torno do conteúdo das mesmas continua a ser escasso. A 20 de março, o encontro entre o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, a chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês François Hollande pareceu querer dar um novo impulso às negociações, mas os efeitos práticos ainda não são percetíveis em Bruxelas.

 

A Comissão está insatisfeita mas recusa-se a traçar outros cenários que não o do entendimento. Margarithis Schinas não quer falar em situações de "default", não querendo também comentar quais seriam as consequências legais (em termos de direito europeu) caso a Grécia falhasse um dos pagamentos aos credores, previstos para as próximas semanas.

 

Ao contrário de Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, que esta quarta-feira, nos Estados Unidos, voltou a criticar duramente a política do governo do Syriza, a Comissão Europeia mantém o papel conciliador. "Como sabem, os principais intervenientes políticos estão em Washington para a reunião de primavera com o FMI, por isso ainda esperamos que as interações, a todos os níveis, produzam os progressos que desejaríamos", disse, em Bruxelas, Schinas.