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Brasileiro executado na Indonésia não tinha consciência de que ia morrer

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A revelação foi feita pelo padre que deu assistência nos últimos dias e horas a Rodrigo Gularte, que sofria de esquizofrenia.

Luís M. Faria

Um sacerdote católico que dá assistência a presos condenados à morte na Indonésia revelou que o brasileiro Rodrigo Gularte, um dos oito executados por tráfico de droga esta terça-feira, ao início não percebeu o que ia acontecer.

"Ele ouvia vozes constantemente", contou o padre Charlie Burrows. "Falei com ele cerca de hora e meia, a tentar prepará-lo para a execução. Disse-lhe que eu tinha 72 anos e que ia para o céu num futuro próximo. 'Descubra onde é a minha casa e prepare-me um jardim'".



Burrows acrescentou que Gularte só tomou consciência da realidade muito perto do fim. "Quando os presos foram levados para fora das celas e lhes puseram aquelas correntes ensanguentadas, ele disse: 'Estou a ser executado? '. Eu respondi: 'Sim, acho que lhe expliquei'. Ele não se exaltou - é assim um tipo tranquilo - mas disse: 'Não está certo'".



"Ele estava perdido, porque é um esquizofrênico", acrescentou o padre. "Perguntou se havia um franco-atirador lá fora pronto a matá-lo, e eu disse que não, e se alguém o ia matar no carro, e eu disse que não". Gularte foi formalmente diagnosticado com desordem bipolar e esquizofrenia em pelo menos um relatório médico (um segundo relatório, encomendado pelas autoridades indonésias, não foi divulgado). Mas os apelos de nada serviram, no seu caso como no dos outros sete.

Dos nove condenados, apenas a filipina Mary Jane Veloso conseguiu um adiamento de última hora. Ao que parece, até os guardas choravam quando ela se despedia dos dois filhos. O Presidente indonésio pediu o adiamento da sua execução, supostamente para Veloso poder testemunhar no processo crime de outra traficante que entretanto se entregou.