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Baltimore. Polícias acusados de homicídio no caso da morte de Freddie Gray

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Win McNamee / Getty Images

A procuradora do estado de Maryland, nos Estados Unidos, afirmou esta sexta-feira que seis polícias da cidade de Baltimore, Estados Unidos, são acusados de serem responsáveis pela morte do jovem negro e irão a julgamento.

"A morte de Gray foi um homicídio", assegurou esta sexta-feira a procuradora do estado de Maryland, Marilyn Mosby, para depois acrescentar: "Ninguém está acima da lei".  

O agente Caesar Goodson, que guiava o veículo da polícia, foi acusado de homicídio de segundo grau (podendo ser condenado a um máximo de 63 anos de prisão) e os outros cinco agentes policiais de homicídio involuntário, agressão e ação criminosa. William Porter e a sargento Alicia White recebem estas três acusações e o tenete Brian Rice, bem como os agentes Garret Miller e Edward Nero, juntam-lhes ainda a da de falsa detenção. 

Durante a conferência de imprensa na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos, Marilyn Mosby garantiu que a detenção do jovem de 25 anos Freddie Gray, a 12 de abril, foi ilegal e que a forma como foi tratado, sob custódia, resultou na sua morte, dia 19.

A lesão no pescoço, fatal para o jovem negro, foi obtida quando este estava algemado na carrinha da polícia de Baltimore, sem cinto de segurança. De acordo com a autópsia, o jovem terá batido com a cabeça contra um parafuso da carrinha e terá sofrido uma lesão na coluna, enquanto estava sob custódia policial. Para além disso, e mesmo tendo conhecimento da situação, os polícias não terão levado o jovem imediatamente para o hospital. Quando chegou à esquadra, já estava inconsciente.  

As ilegalidades da polícia terão começado logo desde a sua detenção, avança Mosby esta sexta-feira. Os agentes deteram Gray por alegadamente se terem apercebido que este transportava consigo uma faca de tipo canivete. No entanto, a procuradora do estado de Maryland realçou hoje que a faca que Freddie teria no seu bolso das calças não era um canivete e era de posse legal, de acordo com a lei de Maryland, tendo sido apenas descoberta pela polícia depois de Freddie ter sido detido. 

'Vivas' e protestos 

O anúncio de que os seis agentes serão levados a tribunal foi recebido com euforia pela população que assistia à conferência de imprensa, em Baltimore, esta sexta-feira.

Este era o primeiro de dois dias de protestos a propósito da morte de Freddie Gray. O dia de hoje ficou marcado por manifestações em várias cidades contra a brutalidade policial - pacíficos em Baltimore, mas violentos na Filadélfia. Nesta cidade vizinha, a maior do estado da Pensilvânia e na qual 44% da população é negra, registaram-se confrontos entre manifestantes e forças policiais. Nos últimos dias, vários grupos de cidades norte-americanas como Nova Iorque, Chicago e Oakland foram para as ruas, mostrando-se contra a violência policial.

Depois deste anúncio do Ministério Público, um membro do sindicato da polícia de Baltimore continuou a negar a possibilidade de os agentes em causa serem culpados da morte de Freddie Gray. Já antes, o sindicato tinha pedido o afastamento da procuradora Marilyn Mosby do caso, alegando falta de imparcialidade. Segundo a mesma fonte, Billy Murphy, o advogado da família Gray, terá doado 5.000 dólares para a campanha de Mosby há apenas quatro meses.