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Internacional

Autoridades assinalam dia mais calmo na ilha do Fogo

A Portela foi uma das povoações mais afetadas

João Relvas/Lusa

Ao décimo dia de erupção vulcânica, a frente de lava move-se mais lentamente. Também nesta quarta-feira, fizeram-se ouvir críticas à "inércia" das autoridades cabo-verdianas e a fragata Álvares Cabral chegou ao país.

Na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, as autoridades que acompanham a evolução da atividade vulcânica relataram esta quarta-feira um dia mais calmo, com a progressão da lava a abrandar o ritmo. A frente mais preocupante move-se agora a menos de um metro por hora, afirmam as equipas no terreno, o que permitiu a abertura de uma nova estrada alternativa até à localidade de Portela.

Sem vítimas a registar, mas com mais de 50 casas destruídas, assim com uma vasta área de terreno agrícola perdida, os habitantes de chã das Caldeiras vivem em sobressalto desde 23 de novembro, quando começou a erupção vulcânica, obrigando-os a abandonarem as suas habitações.

O país tem recebido, desde então, várias ajudas internacionais. Esta quarta-feira chegou à Cidade da Praia a fragata portuguesa Álvares Cabral, que prestará assistência humanitária à população. O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) informou, em comunicado, que a fragata seguirá já esta quinta-feira para a Ilha do Fogo, onde se procederá ao "desembarque de diverso material de primeiros socorros e assistência médico-sanitária, alimentos e água, assim como, de equipamentos para registo de atividade sísmica no local".

Para cumprir a missão em território cabo-verdiano, o navio tem a bordo um helicóptero 'Lynx MK-95' e uma dezena de embarcações (botes e semirrígidas) para o apoio no transporte de pessoal e material para o terreno.

A missão da fragata Álvares Cabral está planeada para 15 dias, mas pode vir a ser prolongada, conforme admitiu, no dia da partida, o comandante do navio, o capitão-de-fragata Alexandre Gamurça Serrano.

Outra ajuda portuguesa se prepara. A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) anunciou que vai enviar para Cabo Verde um responsável para integrar a missão da ONU que avaliará as necessidades de socorro após a erupção vulcânica do Pico do Fogo.

Por outro lado, o diretor do Instituto Tecnológico e das Energias Renováveis das Canárias (ITER) criticou a "inércia" das autoridades cabo-verdianas. Segundo Nemesio Pérez Rodriguez, que se encontra na ilha do Fogo em missão do ITER, toda a informação recolhida desde Março, e que apontava uma situação "preocupante", foi enviada ao Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) cabo-verdiano, que não respondeu, nem accionou medidas de prevenção.