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Autor do massacre do Quénia era brilhante recém-licenciado em Direito

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Cristãos qenianos seguram velas enquanto rezam em memória das vítimas do atentado

Dai KuroKawa/EPA

Aluno de topo no curso de Direito e filho de um funcionário público, o queniano de etnia somali Abdirahim Abdullahi foi identificado como um dos quatro assassinos que na quinta-feira mataram 148 pessoas na zona da universidade de Garissa.

No último de três dias de luto nacional decretados no Quénia, devido ao massacre que na quinta-feira vitimou 148 pessoas na zona da universidade de Garissa, o Ministério do Interior anunciou que um dos quatro atiradores da organização islamita Al-Shabab, responsáveis pelo ataque em que acabariam por ser abatidos, é Abdrihim Abdullahi, um queniano de etnia somali, recém-licenciado em Direito.

Originário da região de Mandera, no extremo noroeste do Quénia, na fronteira com a Somália, Abdullahi fora aluno de topo na Universidade de Nairóbi e era encarado por quem o conhecia como um promissor futuro jurista. O seu pai, um funcionário estatal, havia alertado as autoridades de que o seu filho estava desaparecido desde 2013, suspeitando que tivesse ido para a Somália.

O porta-voz do Ministério do Interior, Mwenda Njoka, declarou ser de enorme importância que os pais cujos filhos estejam desaparecidos alertem as autoridades, sobretudo se houver suspeitas de ligações a movimentos radicais.

O presidente queniano, Uhuru Kenyatta, prometeu no sábado responder "o mais duramente possível" ao ataque à universidade de Garissa, assegurando que o seu país "não se curvará" perante a ameaça. Apelou ainda para que "todos os quenianos, todas as Igrejas e todos os dirigentes" falem "alto e forte a favor da unidade (do país)" e de modo a que a sua "cólera, justificada (...) não leve à estigmatização de ninguém".

Militares demoraram mais 4 horas a chegar ao local

As autoridades estão ainda a tentar descobrir as identidades dos outros três atiradores islamitas que, na quinta-feira, levaram a cabo o massacre em Garissa, o mais mortífero no Quénia desde o bombardeamento da embaixada dos Estados Unidos em Nairobi, em 1998 (213 mortos). O crime terá sido cometido em represália pela presença militar queniana na Somália, onde um corpo expedicionário queniano combate a Al-Shabab desde o final de 2011.

Entretanto, a resposta das autoridades quenianas está a ser alvo de fortes criticas, após o "Sunday Nation", maior jornal do país", ter noticiado que os militares destacados para o local foram retidos quatro horas na base de Nairóbi devido à ausência de um avião que os transportasse até Garissa.