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Internacional

Ataque das FARC põe em causa processo de paz

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Soldados colombianos transportam o corpo de um dos militares mortos durante o ataque

Jaime Saldarriaga / REUTERS

Violação das tréguas resultou em dez militares mortos e já levou o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a levantar a ordem que suspendia os bombardeamentos a campos das FARC. Guerrilha diz que a sua ação foi "defensiva" e acusa o Governo de incoerência.

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Um ataque das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em Cauca, no sudoeste do país, na madrugada de quarta-feira, matou dez militares e feriu outros 20, segundo informações do exército colombiano. Os militares garantem que foram atacados com explosivos e armas de fogo, enquanto relizavam operações de controlo.

A ação parecer ser uma violação das tréguas unilaterais que tinham sido declaradas pela guerrilha a 20 de dezembro e já levou o Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, a declarar o fim da ordem de suspensão dos bombardeamentos a campos das FARC (em vigor desde 10 de março). "Isto foi o um ataque deliberado e revela uma clara quebra da promessa do cessar-fogo unilateral", declarou Santos num discurso televisivo na quarta-feira.  

O atentado terá sido levado a cabo por guerrilheiros da coluna Miller Perdomo, segundo relata "El País", numa região historicamente ocupada pelas FARC. 

Guerrilha contesta 

Pastor Alepe, guerrilheiro da organização e participante nas negociações de paz, contestou a versão do exército colombiano. Recusando confirmar se o ataque foi levado a cabo pelas FARC, Alepe disse no entanto estar preocupado com o que considera serem "relatos de novas ações de combate" por parte dos militares em Cauca.

"[O ataque] parece ter sido causado por uma política incoerente do Governo, que ordena operações militares contra um grupo de guerrilha que está em cessar-fogo", declarou o porta-voz a partir de Cuba, onde decorrem as negociações, citado pelo "Wall Street Journal".

Os especialistas ouvidos pelo jornal "El País" dividem-se. Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para Análise do Conflito (CERAC) considera que este ataque das FARC não pode ser chamado de "operação defensiva" quando foram usados explosivos artesanais e minas antipessoais. Já Ariel Ávila, analista da Fundação Paz e Reconciliação, diz que a tese da guerrilha é possível e destaca que é "difícil verificar o que ocorreu".

Dificuldades no processo de paz  

Independentemente de quem deverá ser responsabilizado pelo atentado, certo é que o ataque abala a confiança dos colombianos no processo de paz. Restrepo reforça ao diário "El País" que parte do apoio que as FARC tinham conquistado ficará "minado" e que a redução da violência que se tinha vindo a registar pode agora ser deitada a perder. 

Também o Governo já é alvo de críticas. O antigo Presidente Álvaro Uribe, cujo pai foi morto pelas FARC, aproveitou a situação para deixar farpas ao Executivo através da rede social Twittter: "O Governo é responsável por este tipo de incidentes", escreveu. "Não estamos a travar os terroristas, estamos a travar o exército e a polícia", acrescentou.