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Ataque com gás mata família síria

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A devastação em várias cidades sírias, quatro anos depois do início da guerra civil no país

Bassam Khabieh/Reuters

Um casal, os seus três filhos e a avó das crianças não resistiram à inalação de gás de cloro durante um ataque das forças leais a Bashar al-Assad numa região controlada por rebeldes. Trata-se de mais um crime de guerra, acusa a Amnistia Internacional.

A Amnistia Internacional alertou, esta terça-feira, para um novo ataque do Governo sírio com gás de cloro em Idlib, uma zona controlada por rebeldes. O ataque com armas químicas - que matou todos os elementos de uma família - é mais uma prova de que o regime de Bashar al-Assad continua a praticar crimes de guerra no país, numa altura em que se assinalam quatro anos de guerra civil, que vitimaram mais de 200 mil pessoas.

Três crianças, os seus pais e avó morreram sufocados depois de um ataque com bombas-barril na cidade de Sarmin, a sudeste da província de Idlib, confirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. As mortes terão resultado da inalação de gás, possivelmente gás de cloro, libertado após o impacto das bombas no solo.

"Estes ataques horrendos que resultaram na morte excruciante de civis, incluindo crianças, provam que as forças do Governo sírio estão a cometer crimes de guerra impunemente", disse Philip Luther, diretor do programa para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional. "A situação na Síria deve ser levada ao Tribunal Penal Internacional urgentemente", referiu ainda o responsável.

Entretanto, um porta-voz do exército sírio recusou assumir responsabilidade pelos ataques.

Noutro relatório, também divulgado esta terça-feira, a Amnistia Internacional responsabiliza o Governo sírio pelos ataques de novembro de 2014 na cidade de Raqqa, bastião do autodenominado Estado Islâmico, e nos quais morreram mais de 100 civis, incluindo 14 crianças. Os ataques aéreos atingiram alvos não-militares, entre eles uma mesquita, uma central de transportes e um mercado movimentado.

Drone norte-americano abatido 

"As forças do Governo sírio demonstraram um desrespeito flagrante das regras da guerra ao realizarem estes ataques aéreos implacáveis", acusou Philip Luther, acrescentando que o regime sírio continua a demonstrar absoluta indiferença pela carnificina provocada por estes ataques, recusando-se a reconhecer o seu envolvimento nestas mortes. 

Na terça-feira, a agência de notícias síria SANA afirmou que as forças de defesa antiaérea abateram um drone de reconhecimento norte-americano. Fontes militares norte-americanas confirmaram, no mesmo dia, que perderam o contacto com a aeronave Predator, no noroeste da Síria.

Caso se confirme o incidente, terá sido a primeira vez que militares sírios atacaram uma aeronave dos Estados Unidos desde que as forças da coligação liderada pelos EUA iniciaram operações aéreas, na Síria, contra o autodenominado Estado Islâmico, em setembro.