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Internacional

Ataque a universidade no Quénia fez pelo menos 148 mortos

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O ataque à universidade de Garissa, no Quénia, é o maior ataque terrorista no país desde o atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairobi, em 1998

EPA

O ataque deu-se durante 16 horas, na passada quinta-feira, e foi reivindicado pelo grupo terrorista Al-Shabaab, com ligações à Al-Qaeda, e que ameaça o Quénia com novos ataques. O número de vítimas foi entretanto atualizado, mas pode vir a aumentar visto haver ainda pessoas desaparecidas. 

Raquel Albuquerque com agências

As forças de segurança do Quénia terminaram as operações na Universidade de Garissa (leste do país) e o balanço oficial do ataque de quinta-feira é de 148 mortos, anunciou o ministro do Interior do Quénia. A agência Reuters avança, no entanto, que ainda há pessoas desaparecidas e o que o número de vítimas poderá aumentar.  

Joseph Nkaissery afirmou à imprensa em Nairobi, depois de regressar de Garissa, que 142 estudantes morreram na quinta-feira, ao longo de quase 16 horas de ataque e cerco. Além dos estudantes morreram também três agentes policiais e três militares, disse. 

"Terminámos as operações depois de termos percorrido toda a universidade. Todos os corpos foram retirados do local e enviados para Nairobi", declarou Nkaissery. As autoridades quenianas indicaram que a universidade de Garissa tinha matriculados 815 estudantes, oriundos de todas as zonas do país e grande parte vivia na residência universitária, tomada de assalto pelos atacantes.

"Os quatro terroristas foram mortos durante a operação para libertar os estudantes reféns", afirmou o ministro. A agência Reuters avança ainda, citando a CNN, que cinco pessoas foram presas por terem ligações ao ataque, segundo informações do ministro do Interior do Quénia.

Na quinta-feira, homens armados e com a cara tapada entraram no campus da universidade de Garissa, localidade do leste queniano, a cerca de 150 quilómetros da fronteira com a Somália. Começaram por disparar ao acaso, mas mais tarde libertaram alguns alunos muçulmanos e tomaram como alvo os alunos cristãos, segundo a Reuters.  

 

Ameaças contra o Quénia 

Os islamitas somalianos do grupo terrorista Al-Shabaab, com ligações à Al-Qaeda, reivindicaram o ataque. Este foi o ataque mais mortífero no Quénia desde o atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Nairobi, em 1998, que causou 213 mortos, e que ocorreu em represália pela presença militar queniana na Somália, onde um corpo expedicionário queniano combate este movimento desde final de 2011.  

Na semana passada, circularam avisos sobre um eventual ataque. Os residentes locais acusam agora as autoridades de terem feito pouco para melhorar a segurança na região.  

O grupo Al-Shabaab voltou a ameaçar o Quénia, este sábado, dizendo que o ataque foi uma retribuição pela presença do Quénia na Somália e pelos maus tratos aos muçulmanos que vivem no país.

"Nem a precaução nem as medidas de segurança serão capazes de garantir a vossa segurança, impedir outro ataque ou prevenir outro banho de sangue nas vossas cidades", disse o grupo num comunicado enviado por email, citado pela Reuters. 

[notícia atualizada às 9h15]