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As primeiras declarações de Dilma pós-protestos. "A corrupção é uma senhora idosa e não poupa ninguém"

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A presidente afirmou que a corrupção feita no governo é anterior à chegada do PT ao poder.

FOTO UESLEI MARCELINO /REUTERS

Um dia após o maior protesto da história democrática do Brasil, a presidente Dilma falou sobre o ajuste fiscal prometido durante a campanha eleitoral do seu governo e sobre a economia, admitindo uma "grande possibilidade" de existirem erros.

Depois do maior protesto da história democrática do Brasil no passado domingo - dois milhões de brasileiros sairam às ruas das principais cidades em todos os estados em protesto contra o governo, a corrupção e a crise económica -, a presidente Dilma Rousseff fez as primeiras declarações públicas numa entrevista coletiva, em Brasília, que ficou marcada pela mudança de tom no seu discurso.  

Dilma respondeu ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha em relação ao seu comentário de que a corrupção estava no poder Executivo e não no Legislativo: "Eu acho que essa discussão não leva a nada. A corrupção é uma senhora idosa e não poupa ninguém. Pode estar em todo o lado, inclusive no setor privado". E acrescentou que a corrupção feita no governo é anterior à chegada do PT ao poder.

Em todos os Estados do Brasil houve manifestações. Serviram para demonstrar a indignação do povo em relação ao escândalo da Petrobras e o aumento de impostos e taxas, contrariando as promessas feitas durante a campanha eleitoral do ano passado. Na entrevista desta segunda-feira à comunicação social brasileira, no Palácio do Planalto, Dilma reforçou que vai defender a aprovação do ajuste fiscal daquele país, prometeu entregar o seu pacote atrasado de cinco medidas sobre a reforma legislativa de anticorrupção e fez ainda um apelo: "Vamos brigar depois. Agora vamos fazer pelo bem do Brasil tudo aquilo que tem que ser feito".

Dilma muda tom do discurso

A imprensa brasileira destaca uma mudança no tom do discurso de Dilma, que transmitiu uma imagem mais leve e até brincou com os jornalistas. Sobre o estado da economia do país, a presidente adotou um discurso otimista, afirmando que o ajuste fiscal prometido iria concretizar-se ainda este ano.  

A Presidente admitiu existir uma "grande possibilidade" de erros no sector económico e que o governo falhou na condução do Fies - um programa de financiamento aos estudantes universitários. Ceder às universidades o controlo da contabilização das matrículas foi "inadequado", referiu Dilma. "O governo cometeu um erro. Passou para o sector privado o controlo dos cursos", admitiu.

Questionada sobre a prisão do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque por desvio de 70 milhões de reais (20,5 milhões de euros) da petrolífera estatal, e o indiciamento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ter consequências no governo, a presidente afirmou que não acreditava que tivesse. "Esses acontecimentos mostram que todas as teorias a respeito de como é que o governo interferiu sobre o Ministério Público ou quem quer que seja para investigar ou fazer qualquer coisa são absolutamente infundadas", acrescentou.

Ao comentar a postura de "humildade" prometida pelo governo durante a campanha eleitoral, Dilma decidiu não adiantar muitos pormenores. "Não existe na minha postura nenhuma situação confessional. Isto aqui não é um auto de confissões, vocês vão concordar, é uma entrevista".