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As 16 horas que pararam Sydney

Uma mulher chora no exterior do café, após terminado o sequestro

Jason Reed/Reuters

Sequestro, que  começou por ser confundido com um assalto à mão armada, está a ser tratado como um ato de um indivíduo isolado, diz a polícia. Três pessoas morreram, entre as quais o autor do rapto, o iraniano Man Haron Monis. Investigações vão continuar.

Com a lacónica expressão "a operação acabou", o porta-voz da polícia de New South Walles confirmou esta segunda-feira o desfecho do sequestro no café de Sydney, onde 17 pessoas foram mantidas reféns pelo iraniano Man Haron Monis. O alívio chegou ao fim de 16 horas e após várias versões postas a circular sobre o que estava a acontecer na zona de Martin Place.

Apesar dos muitos relatos que citavam, sobretudo, os media locais, até à conferência de imprensa dada pela força policial horas depois, os números de mortos e feridos não eram coincidentes, nem mesmo a sequência dos acontecimentos.

O balanço é agora oficial: três pessoas morreram, entre os quais o sequestrador, e outras quatro ficaram feridas depois de vários agentes fortemente armados terem invadido o café para libertar os 12 reféns ainda no seu interior.

Não sendo ainda claras as reivindicações do clérigo muçulmano, o incidente está a ser investigado, disse a polícia, apesar de esta garantir ter-se tratado "de um ato isolado", que não deverá alterar a vida dos cidadãos australianos.

 

Polícia chegou a pensar que era assalto

O pesadelo começou no domingo, por volta das 9h30 locais (22h30 em Portugal), quando um homem armado entrou no café Lindt, no movimentado centro financeiro de Sydney, impedindo de sair as pessoas que se encontravam no seu interior.

Dado o alarme - uma informação não confirmada diz ter sido uma mulher que se apercebeu da presença de um homem armado junto ao café -, a polícia chegou ao local pouco depois, admitindo inicialmente tratar-se de um assalto. Mas menos de uma hora depois, as estações de televisão mostravam já imagens de alguns reféns de braços no ar, dois deles com as mãos encostadas a uma das janelas, tendo alguns dos reféns conseguido usar os telemóveis e dado pistas sobre o que lhes estava a acontecer.

Uma bandeira negra, que chegou a ser confundida com as usadas pelo Estado Islâmico, acabou por ser exibida, com a inscrição, em árabe, "Não há Deus além de Alá e Maomé é o profeta de Alá."

As autoridades evacuaram então os edifícios mais próximos, enquanto o primeiro-ministro Tony Abbott se dirige ao país para falar de um "incidente muito preocupante". Numa outra intervenção, horas depois, disse que o sequestrador tinha "motivações políticas", mas nunca se referiu ao episódio como um ato de organização terrorista.

 

Sequestrador tinha cadastro

Em momentos diferentes, três homens, e depois duas mulheres conseguem fugir. Com o número total de reféns ainda por determinar, a polícia diz estar em curso uma delicada negociação, que exige discrição e recusa confirmar se foi estabelecido contacto direto com o sequestrador, entretanto identificado como o clérigo de 50 anos, já conhecido pelo seu historial de crimes (agressões sexuais incluídas) e pelas cartas de ódio enviadas às famílias de soldados mortos no exterior.

O início da operação para libertar os reféns começaria já de madrugada, depois de ouvidos tiros e explosões - não se sabe ao certo qual dos lados terá iniciado as hostilidades.

Nas imagens, transmitidas em direto, viram-se então algumas das pessoas a serem transportadas em ambulâncias, enquanto o rosto de outros espelhava o pânico das últimas horas. Nada de concreto sobre Man Haron Monis, embora muitas notícias arriscassem já que o iraniano seria uma das duas pessoas mortas na operação - uma terceira vítima começou a ser mencionada minutos depois.

 

Já na conferência de imprensa, a polícia confirmou a morte do sequestrador e de dois reféns - o gerente do café,Tori Johnson, de 34 anos, e a advogada Kristina Dawson, de 38 - tendo referido a existência de mais quatro feridos, dois deles sem grande gravidade. Um agente foi atingido no rosto, especificou o comissário Andrew Scipione, que adiantou não terem sido encontrados explosivos no local.