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Aquários japoneses sancionados por causa da caça de golfinhos

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Os conservacionistas defendem que a Jaza, que representa os aquários japoneses que acolhem golfinhos capturados no mar, tem atuado como um "membro desonesto"

YOSHIKAZU TSUNO/AFP/GettyImages

Durante a caça, os golfinhos são forçados a deslocarem-se para águas superficiais, sendo aí abatidos ou levados para aquários para participarem em exibições. Decisão tomada pela Associação Mundial de Zoológicos e Aquários agrada aos conservacionistas.

Helena Bento

Jornalista

A Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (Waza, na sigla em inglês) suspendeu a Associação de Zoológicos japonesa (Jaza) pelo seu envolvimento na caça de golfinhos na cidade de Taiji, na região oeste do Japão. 

A sanção, que  foi aprovada por unanimidade, surge na sequência de uma ação judicial interposta por conservacionistas contra a própria Waza, noticiada pelo "The Guardian" no mês passado.

Os conservacionistas acusam o organismo de aprovar efetivamente a caça aos golfinhos, forçando-os a deslocar-se para águas superficiais, onde são abatidos ou levados para aquários a fim de participarem em exibições.

Pressionada tanto pelos conservacionistas como por outros dos seus membros, a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários apresentou uma solução à Jaza, que logo apresentou uma contraproposta.

"A Jaza respondeu propondo algumas linhas orientadoras que impunham restrições aos métodos de captura dos golfinhos e apresentava algumas medidas para melhorar os cuidados de saúde a prestar aos animais, mas como isso não significa o fim da captura o Conselho da Waza concluiu não havia possibilidade de ser alcançado um acordo satisfatório e votou a favor da suspensão da associação japonesa", refere a Waza em comunicado.

"A suspensão teve por base a certeza de que a Jaza violou o código de ética e o bem-estar dos animais", lê-se ainda no mesmo documento. A Waza reafirma a sua posição, exigindo que a associação japonesa deixe de compactuar com a caça de golfinhos em Taiji.

Conservacionistas e diretores de zoológicos e aquários satisfeitos com a decisão

A notícia da suspensão foi bem recebida pelos conservacionistas, que defendem que a Jaza, que representa os aquários japoneses que acolhem golfinhos capturados no mar, tem atuado como um "membro desonesto" e que a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários se tem mantido à margem da situação, apesar de se opor publicamente à caça dos golfinhos.

Diretores de zoológicos e aquários, que fazem parte da associação, também ficaram satisfeitos com a decisão. Sarah Lucas, diretora da Australia for Dolphins, disse que "este é um passo muito promissor e o reconhecimento de que a Jaza tem de cumprir o seu próprio código de ética". 

"Mais do que expulsa a Jaza foi suspensa, mas a ameaça de expulsão é iminente e eles vão saber que os principais zoos do mundo estarão atentos caso não se observem quaisquer alterações", refere a diretora, citada pelo "The Guardian". Sarah Lucas acrescenta que o objetivo da associação que representa é "tomar medidas contra os zoológicos que estão a abusar dos animais, recorrendo a métodos como o aprisionamento ou a violência física". 

Ativistas da organização ecologista Sea Sheperd também elogiaram a suspensão da Jaza pelo seu "papel horrível no massacre de cetáceos selvagens em Taiji". "Ao mesmo tempo que estamos satisfeitos por saber desta notícia, continuamos a opor-nos ao confinamento em aquários de seres tão inteligentes e socialmente complexos como as baleias e os golfinhos, aos programas e outras instalações que continuam a incentivar a caça aos animais e à captura selvagem que continua a verificar-se em todo o mundo", lê-se num comunicado disponível no site da organização.

"Estes mamíferos marinhos altamente inteligentes, sensíveis socialmente complexos pertencem ao mar, onde podem exercer os seus comportamentos naturais e viver com outros grupos, e não a aquários, onde fazem truques em troca de comida em tanques de cimento, estando sujeitos à música alta e às multidões ruidosas".

De acordo com observadores da Ceta-Base, uma base de dados online que reúne informação sobre o número de cetáceos capturados em todo o mundo, nos últimos cinco anos morreram mais de 5000 golfinhos em Taiji e 750 foram capturados e levados para aquários. Desde agosto de 2014, altura em que foi assinado um acordo que previa o fim da caça, morreram cerca de 751 golfinhos.