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Aperto de mão histórico. Obama e Raul Castro cumprimentam-se na abertura da Cimeira das Américas

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Mais uma demonstração de reaproximação diplomática entre os EUA e Cuba

FOTO EPA

Presidente dos EUA e líder cubano, separados pelos presidentes do Equador e El Salvador, ficaram na segunda de três filas no centro de convenções da capital do Panamá. O cumprimento entre os dois líderes foi mais um sinal do degelo entre os dois países. Momentos antes, Barack Obama sublinhava que os atos de "interferência com impunidade" dos Estados Unidos na América Latina "acabaram".

A VII Cimeira das Américas teve início, esta sexta-feira, no Panamá, com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o seu homólogo cubano, Raúl Castro, a marcarem presença na cerimónia de abertura do evento. Para a história fica um aperto de mão, em mais um sinal de degelo diplomático.

A cimeira, com a duração de dois dias, arrancou às 19h40 locais (01h40 de sábado em Lisboa), com a participação de cerca de 30 chefes de Estado.

Obama e Castro, separados pelos presidentes do Equador e El Salvador, ficaram na segunda de três filas no centro de convenções da capital do Panamá, enquanto soava o hino nacional do país anfitrião do evento considerado histórico.

Segundo a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca Bernadette Meehan, os dois líderes cumprimentaram-se, com um aperto de mão, na abertura da cimeira.

Tratou-se de "uma interação informal", não tendo havido qualquer "conversa substancial", descreveu.

Obama e Castro vão reunir-se hoje, à margem da cimeira, num encontro que figurará como o primeiro entre os presidentes dos Estados Unidos e Cuba em mais de meio século.

Esta semana, e antes da Cimeira das Américas, em que são aguardados progressos históricos entre Washington e Havana, os dois líderes falaram ao telefone, segundo revelou fonte oficial da Casa Branca que falou sob a condição de anonimato.

Na noite de quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano e o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano, John Kerry e Bruno Rodriguez, respetivamente, estiveram reunidos num encontro que figurou como o primeiro entre os chefes de diplomacia das duas nações em mais de meio século. Diplomatas norte-americanos indicaram que o último remonta a setembro de 1958.

 

"Os tempos em que achávamos que os EUA poderiam interferir com impunidade acabaram"

Momentos antes do início da Cimeira das Américas, a decorrer no Panamá, o Presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou que os atos de "interferência com impunidade" dos Estados Unidos na América Latina acabaram.

"Os tempos em que achávamos que os Estados Unidos poderiam interferir com impunidade acabaram", disse Barack Obama, num discurso proferido num fórum da sociedade civil organizado à margem da cimeira.

No discurso, Barack Obama salientou também que as "nações fortes não têm medo" da sociedade civil e explicou que, quando os Estados Unidos defendem alguém que está na prisão por questionar o poder, o fazem porque "é correto".

A sociedade civil é a "consciência dos nossos países", insistiu Barack Obama, cujo discurso foi interrompido várias vezes por causa dos aplausos.

A VII Cimeira das Américas começou sexta-feira no Panamá, com a presença de 35 dirigentes do continente americano, incluindo os presidentes norte-americano e cubano, que se vão reunir para continuar o processo de reconciliação entre os respetivos países, depois de já terem apertado as mãos, durante a cerimónia fúnebre do antigo presidente sul-africano Nelson Mandela, em desembro de 2013.

 

Aproximação histórica anunciada há quase quatro meses

A 17 de dezembro de 2014, Obama e Castro anunciaram em simultâneo uma aproximação histórica entre Washington e Havana, que não têm relações diplomáticas oficiais há mais de 50 anos. E, após o anúncio, as duas partes já realizaram várias rondas negociais.

Esta é a primeira vez que Cuba assiste à Cimeira das Américas, um fórum instituído em 1994 sob a égide da Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual Cuba esteve excluída entre 1962 e 2009.

A VII Cimeira das Américas, inaugurada pelo Presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, reúne chefes de Estado e de Governo de 35 países.

"O grande desafio que temos, por estes dias, é deixar de lado as diferenças conjunturais, procurar pontos de convergência que nos permitam lutar juntos contra a desigualdade, a falta de oportunidades e a delinquência", disse Juan Carlos Varela, na abertura, no centro de convenções Atlapa.

Durante o discurso, teceu elogios "à coragem e a vontade dos chefes de Estado e de Governo que deixaram de lado as suas diferenças históricas em busca de uma aproximação que signifique melhores dias para os seus povos e para o continente", instando à definição de um roteiro para a paz e "prosperidade com equidade", o lema da cimeira.

O encontro vai terminar sem uma declaração conjunta perante a falta de consenso devido às tentativas de Caracas de impor uma crítica à política dos Estados Unidos contra a Venezuela.