Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Ángel González não cometeu nenhum crime, mas passou 21 anos na prisão

  • 333

Um teste de ADN confirmou a inocência de Ángel González, 21 anos depois de ter sido condenado a 55 anos de prisão

Captura de ecrã

O mexicano foi libertado nos Estados Unidos depois de um teste de ADN ter comprovado que era inocente. Tinha uma pena de 55 anos na prisão para cumprir. Diz que não guarda rancores e afirma que o seu "pesadelo acabou".

O mexicano Ángel González foi condenado em 1994 a cumprir 55 anos numa prisão em Chigago, por ter, alegadamente, violado uma mulher (cuja identidade é desconhecida). Passou 20 anos dentro das grades até esta terça-feira, dia em que foi libertado por ter sido comprovado que não tinha cometido nenhum crime.

Ángel tinha 20 anos quando foi condenado. Agora com 41, um teste de ADN bastou para confirmar a sua inocência. Quando saiu da prisão de Dixon, nos arredores de Chicago, disse que tinha "voltado a nascer". "Pensei que este dia nunca iria chegar. Com a ajuda da minha mulher e dos meus advogados, a partir de hoje sou um homem livre", acrescentou.

Depois de ter perdido 20 anos da sua vida numa cela, Ángel poderia sentir revolta pelo sistema judicial. No entanto, assegura que não guarda ressentimentos nem amargura pelo que perdeu confinado ao interior dos muros de uma cadeia. "Quando estamos num local como aquele, acontecem coisas nas nossas vidas sobre as quais não temos controlo, e não devemos ficar amargurados. Precisamos de encontrar a força para continuar a lutar, para não ceder", explicou Ángel à MSNBC.

Durante os anos que passou na prisão, Ángel admitiu que aprendeu "muitos ofícios", não especificando quais.

Ángel González correu para entrar na casa dos pais depois de libertado. O seu sorriso é evidente e demonstra a felicidade sentida quando voltou a abraçar familiares que não via há 20 anos. No conforto familiar, admite que "acordou de um pesadelo" e que reencontrar-se com os seus entes queridos foi algo surreal" porque, ao longo dos anos, o "touch" que tinha com essas pessoas perdeu-se. "Deixei de saber quem eles eram e, mais importante, quem era eu", referiu.

A noite de 10 de julho de 1994 Ángel viajou, em 1994, até aos Estados Unidos para visitar a sua família. No dia 10 de julho do mesmo ano, uma mulher que vivia na comunidade de Waukegan, no estado de Illinois, foi sequestrada da sua casa e levada para outro lugar, onde acabou violada. Na mesma noite, a polícia local deteve Ángel - não se sabe como é que as autoridades o encontraram -, porque a mulher que fora violada o indicou como o criminoso, alegando que a aparência do jovem mexicano era semelhante à do homem que a tinha sequestrado.

Segundo vários testemunhos presentes nos julgamentos, a mulher não identificou bem Ángel porque este não tinha o rosto muito visível, devido às luzes dos veículos presentes no local do crime. Além disso, outros testemunhos e familiares declararam que quando o crime foi cometido Ángel estava num apartamento com a sua noiva. Argumentos, porém, que não foram considerados, acabando condenado a uma pena longa na prisão.

Volvidos 20 anos, um advogado de Illiinois, Nerheim, decidiu reabrir o caso para provar a inocência de Ángel, na qual acreditava. Juntamente com Barry Scheck e Vanessa Potkin, advogados pertencentes ao Projeto Inocência - uma organização norte-americana que pretende provar a inocência de pessoas através de amostras de ADN e que já conseguiu libertar 325 detidos -, Nerheim ordenou que fossem realizados exames genéticos das roupas que a vítima utilizou na noite do ataque.

Os resultados foram determinantes. Foram encontrados vestígios do ADN de dois homens desconhecidos, mas nenhum deles pertencia a Ángel. Esta conclusão foi suficiente para provar a inocência do mexicano.

Regressado à liberdade com 41 anos, Ángel afirma que "a parte mais difícil já acabou" e que agora pode concentrar-se na sua nova vida.