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Andaluzia é a maior região de Espanha. E os andaluzes estão a votar

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6,5 milhões de espanhóis votam este domingo nas autonómicas da Andaluzia. Freira exerce o seu direito de voto em Málaga

EPA

As assembleias de voto para as décimas eleições do governo autónomo da Andaluzia abriram às 09h00. 6,5 milhões de andaluzes escolhem este domingo governo da sua comunidade autonómica. Socialistas são favoritos mas sem maioria.

Angel Luis de La Calle, cCorrespondente em Madrid

Seis milhões e meio de andaluzes protagonizam, amanhã, o primeiro de quatro atos eleitorais a que a Espanha vai assistir este ano. As eleições regionais vão confirmar ou desmentir as previsões de que o bipartidarismo tradicional acabou. Ver-se-á a verdadeira pujança das forças políticas emergentes, Podemos e Cidadãos.

Serão, ainda, um termómetro para os grandes partidos tradicionais, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que tem o seu berço na Andaluzia, e o Partido Popular (PP), que governa Espanha. Este escrutínio será o ensaio geral da política de alianças que deverá marcar a nova era no país.

As sondagens preveem que os socialistas vençam. A sua candidata, Susana Díaz, governará a região durante os próximos quatro anos. Já é presidente do governo regional, mas ainda não foi legitimada nas urnas. Deve o cargo à demissão do antecessor, de quem era vice. José Antonio Griñán renunciou em agosto de 2013, devido a escândalos de corrupção.

Díaz já então aflorava como figura poderosa entre os jovens socialistas. Muitos militantes e dirigentes do PSOE teriam preferido (e preferem) vê-la no lugar de Pedro Sánchez, que lidera os socialistas espanhóis (foi eleito em primárias) num dos momentos mais críticos da sua história.

Os estudos de opinião dizem que nenhuma força alcançará os 55 deputados necessários para obter a maioria parlamentar. Ao PSOE atribuem 41 a 45 lugares, contra 29 a 36 para o PP. O Podemos ficaria em terceiro, com 15 a 22 assentos; o Cidadãos elegeriam cerca de 11 e a IU 4 a 5.

Os pactos tornar-se-ão imprescindíveis, mas nascem marcados por exclusões prévias. Díaz assegura que não negociará com o PP nem com o Podemos, seguindo diretrizes da liderança central do PSOE. Fica descartada uma aliança de esquerda PSOE-Podemos-IU. Díaz, como o seu mentor Griñán, governou durante dois anos com a IU, um acordo forjado para impedir a chegada ao poder do PP, cujo candidato, Javier Arenas, vencera à tangente as eleições de 2012.

Cidadãos fiel da balança?

O mais provável é Díaz procurar um acordo com o Cidadãos, formação de centro-direita sem implantação na Andaluzia, mas cujo líder, o catalão Albert Rivera, despertou empatia junto dos andaluzes. Dependendo da dimensão do triunfo, Díaz pode decidir governar em minoria, procurando apoios pontuais para grandes projetos e orçamentos.

A Andaluzia é o principal viveiro eleitoral do PSOE, que governa a região desde 1982. É a terra de origem de figuras históricas como Felipe González, Alfonso Guerra ou Manuel Chaves. Está assolada pelo problema endémico do desemprego: 34,2% da população ativa. O PIB per capita andaluz é de 16.666 euros, quando a média espanhola está nos 22300.

A segunda preocupação é a corrupção. Os tribunais julgam, atualmente, dois casos ligados ao governo socialista (desvio de ajudas estatais a empresas em crise e apropriação de fundos destinados à formação de trabalhadores). Entre os arguidos estão os ex-Presidentes Chaves e Griñán.

O Podemos também se vê manchado. A Universidade de Málaga abriu um processo disciplinar ao número três do partido, Íñigo Errejón, por ter estado a trabalhar em Madrid quando recebia 1800 euros por mês para estar 40 horas por semana em Málaga.

Retrato da favorita

Susana Díaz (40 anos) fez campanha grávida do seu primeiro filho. Os que a conhecem asseguram que é uma força da natureza: potente, obstinada, transmite grande confiança em si própria e baseia boa parte do carisma nos seus dotes de oratória.

ilha de um pedreiro da Câmara de Sevilha, onde nasceu, e de uma dona de casa, pagou o curso de Direito com bolsas estatais e pequenos trabalhos, como vender cosméticos ao domicílio. É o produto típico do aparelho. Ingressou na Juventude Socialista e em 1997 (era estudante universitária) deixou a faculdade para ser secretária para a organização dessa estrutura. Demorou dez anos a voltar.

Foi vereadora em Sevilha, deputada regional, deputada e senadora nacional e dirigente do PSOE andaluz, depois governante com Griñán. Não é de excluir que seja chamada pelas bases do partido se Sánchez sofrer algum desaire numa das batalhas eleitorais deste ano: regionais e municipais em maio, regionais catalãs em setembro e legislativas em novembro.