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Internacional

Amnistia Internacional denuncia violência crescente contra ativistas afegãs

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A participação ativa na vida pública e a luta pelos direitos humanos expõe as mulheres afegãs a vários tipos de ameaças

WAKIL KOHSAR/Getty Images

Relatório da organização dos direitos humanos alerta para os diferentes tipos de ameaças que enfrentam as mulheres no Afeganistão e acusa o Governo do país de nada fazer para as defender e punir os agressores.

As mulheres afegãs que lutam pelos direitos humanos enfrentam uma onda de violência crescente, sem que o Governo do país assegure a sua proteção e perante a passividade da comunidade internacional, acusa a Amnistia Internacional (AI) num relatório divulgado na segunda-feira, em Cabul.



Com base em entrevistas com mais de 50 ativistas e seus familiares, realizadas em várias regiões, o cenário traçado pela AI representa uma marcha-atrás em relação a pequenos avanços já conquistados no Afeganistão. Apesar do seu esforço e de alguns ganhos no passado, sublinha o relatório, as mulheres estão a ser deixadas à sua sorte.



Entre as situações denunciadas está a frequente falta de intervenção das autoridades, que ignoram as queixas recebidas ou recusam atuar. Num caso recente, em que uma mulher de 27 anos foi espancada até à morte numa rua de Cabul, acusada de ter incendiado algumas páginas do Corão, vários testemunhos acusam a polícia de nada ter feito para o evitar, apesar de se aperceberem do ataque.



A violência é exercida de muitas formas - ameaças, agressões sexuais e até assassinatos - e não apenas pelos elementos talibãs, ainda que a maioria dos ataques parta deste grupo radical.



O documento cita uma das mulheres ouvida: "As ameaças vêm de todo o lado. Torna-se difícil identificar os inimigos. Podem ser familiares, agências de segurança, políticos, colegas de trabalho..."

Sublinhando a coragem das muitas mulheres que continuam a lutar pela mudança e a desempenharem os seus cargos, apesar dos riscos envolviods, a AI considera urgente garantir proteção às mulheres, "em especial nas zunas rurais"; fazer cumprir a lei; tomar medidas concretas para combater o assédio nas instituições públicas, e promover uma mudança de atitude nas forças policiais.