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África Central perdeu 64% de elefantes numa década

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As zonas mais afetadas pela caça furtiva são a África Central, a África Oriental, Quénia e Tanzânia

THOMAS MUKOYA/REUTERS

A caça furtiva de elefantes tem aumentado pela crescente procura de marfim por países asiáticos. A China é um dos principais compradores desse material no mercado paralelo. 

A população de elefantes da África Central diminuiu 64% entre 2001 e 2011, à conta do aumento da caça furtiva ilegal naquela região. Só em 2011, um em cada 12 elefantes foi abatido por caçadores em todo o continente africano. Estas são algumas das conclusões do estudo publicado segunda-feira na revista científica "Proceedings" da Academia Nacional de Ciências.

A investigação revela que a procura de marfim na China e outros países asiáticos fez aumentar o número de elefantes mortos, cujas presas são depois vendidas no mercado paralelo. "As pessoas mais pobres de África estão dispostas a assumir o risco criminal e a matar os elefantes. É uma atividade que lhes garante lucro", explica o autor principal do estudo, George Wittemyer, da Universidade do Colorado. 

O aumento significativo de mortes de elefantes coloca em risco a continuação da espécie. "A atual demanda de marfim é insustentável. Essa é a nossa conclusão global. Esta procura deve reduzir imediatamente. Caso contrário, os elefantes serão cada vez menos ", apela por seu turno Iain Douglas-Hamilton, fundador da organização não-governamental Save the Elephants.

O ritmo da diminuição daqueles mamíferos não é igual em todo o continente. As zonas mais críticas são a África Central, a África Oriental, Quénia e Tanzânia, onde nos últimos três anos a população caiu de 40 mil para 13 mil indivíduos. Já o Botswana é o lugar mais favorável, onde a população de elefantes se mantém estável e regista até um pequeno crescimento.

Na África do Sul, são os rinocerontes os principais alvos dos caçadores furtivos, que ainda não começaram a atacar os elefantes.

A China está ciente do problema de imagem associado ao comércio paralelo de marfim. No último mês, a Embaixada chinesa no Quénia doou equipamentos anticaça furtiva a quatro unidades de conservação da vida selvagem no país. O embaixador Liu Xianfa assegurou que a China tem aumentado internamente a educação para a rejeição do comércio ilegal de marfim.

"Crimes contra animais selvagens são uma ameaça transnacional", afirmou o embaixador. "Garanto-vos que seguiremos com mais ações e que cumpriremos a nossa promessa. Acreditamos firmemente que, através de esforços conjuntos, o combate a crimes deste género terá sucesso", garantiu ainda o diplomata.

Apesar do elevado número de mortes, tanto Wittemyer como Douglas-Hamilton acreditam na sobrevivência da espécie. O investigador da Universidade do Colorado confia que apesar do aumento da caça furtiva, há países que estão dispostos a investir em projetos de segurança e preservação da vida selvagem e que isso manterá a espécie mais ou menos estável.

O fundador da Save the Elephants relembra que entre os anos 70 e 80 os elefantes sobreviveram a um "avassalador período de caça furtiva". à semelhança de então, acredita ser possível recuperar desta crise. "Temos de ser otimistas", remata Douglas-Hamilton.