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A320: Muitas informações, poucas certezas. França não descarta "falha técnica"

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FOTO JEFF PACHOUD/AFP/Getty Images

São várias as revelações sobre o copiloto do avião da Germanwings que aumentam as suspeitas sobre a sua responsabilidade no caso. No entanto, o chefe dos investigadores franceses assegura que "não está excluída nenhuma hipótese". Procurador-geral de Marselha também se mostra mais prudente e fala agora em "homicídio involuntário".

Contra os julgamentos prévios e as conclusões apressadas, o chefe dos investigadores franceses do caso do avião da GermanWings garantiu este sábado que - apesar de a investigação estar centrada nesta altura no historial do copiloto alemão - não está excluída nenhuma hipótese, incluindo a de uma "falha técnica" do aparelho. 

"Embora seja necessário estabelecer prioridades numa investigação, não podemos descartar outras hipóteses, inclusivamente problemas técnicos até que se prove que a avião não apresentava qualquer falha", afirmou o general Jean-Pierre Michel, chefe do departamento francês de investigação criminal, citado pelo jornal "Le Figaro".

Lembrando que a operação de resgate é dificultada pelos difíceis acessos ao local e às más condições metereológicas, o responsável disse que esta durará o tempo que for necessário.

"A dificuldade está antes de tudo em saber por que o avião caiu e em quais condições e em apresentar uma resposta às famílias", acrescentou.

Também o primeiro-ministro francês, Manuel Valls já tinha declarado que "nenhuma possibilidade podia ser afastada". No entanto, o procurador-geral de Marselha, Brice Robin, disse depois que o copiloto Andreas Lubitz teria feito despenhar o avião deliberadamente, depois de um registo de uma das caixas negras ter revelado que a porta do cockpit estava bloqueada após a saída do comandante por instantes.

Mais prudente, Brice Robin fala agora na hipótese de "homícidio involuntário". "Para que fosse de outra forma tinha que haver certeza que existia a intenção de matar. Mas como o piloto está morto temos que continuar a investigar", afirmou o responsável ao "El País".

Investigação longe do fim

Entretanto, cerca de 200 investigadores continuam no terreno em busca de provas que possam explicar a causa da queda do Airbus A320 da GermanWings na terça-feira com 150 pessoas a bordo. As equipas francesas e alemãs estão a trabalhar em estreita colaboração  - além dos elementos que prosseguem as operações nos Alpes franceses, um grupo de investigadores procura em Düsseldorf eventuais provas, efetuando buscas nas casas do copiloto e dos pais e ouvindo os relatos de familiares, da namorada e de amigos.

Este sábado, novas revelações sobre Andreas Lubitz vieram aumentar as suspeitas em torno do ex-piloto. Depois do "The New York Times" ter noticiado que o copiloto alemão tinha "problemas de visão", o "Die Welt" escreveu que foram encontrados na sua casa medicamentos para tratar um "grave transtorno psicosomático".

O "Bild" avança, entretanto, que terão sido identificados restos mortais de Andreas Lubitz através de exames de ADN, citando fontes ligadas à investigação. A confirmar-se será uma importante prova para indicar se o copiloto teria ou não tomado fármacos antes do voo, uma vez que escondera da companhia que estava de baixa médica nesse dia.

Segundo o presidente da junta da aldeia de Prads-Haute-Bléone, situada na região dos Alpes franceses, o pai de Andreas Lubitz  estava "destroçado". Encontrei-o completamente abatido. Pareceu-me um homem que carregava o peso de todo um drama", afirmou o responsável à estação de televisão BFM.

Funeral de Estado na Alemanha

Uma missa em memória das vítimas do acidente nos Alpes foi celebrada este sábado na Catedral de Nossa Senhora em Digne-Les-Bain, reunindo alguns familiares. Na celebração religiosa, que durou cerca de uma hora, foram registados momentos de comoção, tendo sido acendidas 150 velas simbolizando cada uma das vítimas da tragédia.



A Alemanha anunciou, entretanto, esta tarde que realizará um funeral com honras de Estado no próximo dia 17 de abril. O ato oficial tetá lugar na catedeal de Colónia e reunirá familiares das vítimas e o Presidente alemã Joachim Gauck e  a chanceler Angela Merkel. Os chefes de Estado dos países das vítimas também serão convidados para a cerimónia.

O Governo espanhol também pondera realizar um funeral de Estado em Barcelona, mas ainda não anunciou a decisão oficial.