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A história do nigeriano que continua a lutar pela libertação das jovens raptadas. Um ano depois...

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Charles Alasholuyi, um nigeriano pai de três filhos, luta diariamente pela libertação das cerca de 300 raparigas sequestradas há um ano por militantes do grupo extremista Boko Haram. Pretende "dar voz" às jovens e às suas famílias, que clamam por ajuda.

Quando cerca de 300 jovens foram sequestradas por fundamentalistas do grupo Boko Haram na Nigéria há um ano, milhões de pessoas revoltaram-se e iniciaram uma campanha nas redes sociais para que fossem libertadas. Durante meses, esta campanha teve uma força incontestável e a hashtag criada para as pessoas demonstrarem essa indignação - #BringBackOurGirls - foi das mais utilizadas em 2014. Mas continuou a não haver sinal das jovens e a força da campanha foi-se desvanecendo. As pessoas começaram a perder a esperança. Mas Charles Alasholuyi continua a lutar.  

Ao longo dos meses, a maioria das pessoas criou dúvidas sobre o paradeiro das jovens e começou a perder o vigor que tinha, mas Charles Alasholuyi fez o contrário. Continuou a batalhar para dar "voz" às raparigas desaparecidas e todos os dias tira uma fotografia dele mesmo a segurar um cartaz com a hashtag #BringBackOurGirls e as palavras de ordem: "Salvem as raparigas" e "O nosso governo tem a responsabilidade de nos proteger". O gestor de Marketing refere que estas fotografias não são apenas para "passar o tempo". Servem para "fazer um pedido de ajuda" e para as raparigas não caírem no esquecimento.

Charles, pai de três filhos, acredita que quando "se magoa uma pessoa, magoam-se todas" e que estas fotografias servem também para ajudar as famílias das vítimas a terem voz.

Até ao momento, ainda não existe nenhuma informação sobre o paradeiro das jovens, mas Charles não pretende desistir da luta que tem travado. Sente "uma obrigação moral" para continuar a publicar as suas fotografias diariamente até as raparigas voltarem. "Não quero que ninguém se esqueça das meninas e da luta que as famílias travam desde o desaparecimento delas", admitiu. 

Além desta iniciativa, Charles trabalhou com organizações para pressionar o governo nigeriano a fazer "mais" para encontrar as jovens desaparecidas. Recentemente, participou numa marcha de dez quilómetros para assinalar o sequestro ocorrido a 14 de abril dde 2014 e apelou ainda ao seu governo e a outras nações para lutarem contra a violência imposta pelo grupo extremista Boko Haram.

"Ontem foi em Chibok, no dia anterior foi noutro lugar, e amanhã poderá ser na minha vila. Por que não chorar alto para que o mundo inteiro nos ajude e garanta que a violência do Boko Haram seja extinta?", questiona Charles num vídeo publicado pela CNN.