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A grande dor de cabeça para Obama não será Cuba mas a Venezuela

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Barack Obama chegou quinta-feira à noite ao Panamá

Mauricio Duenas Castaneda/EPA

A Cimeira das Américas arranca esta sexta-feira no Panamá assombrada por uma série de tensões, em especial em torno dos que alinham por e contra os Estados Unidos. Um dos grandes desafios para o Presidente norte-americano é evitar que o encontro fica manchado pelos seus desentendimentos com o homólogo venezuelano Nicolás Maduro.

Apesar dos líderes dos Estados Unidos e de Cuba estarem juntos pela primeira vez num encontro político em mais de meio século na VII Cimeira das Américas, a maior preocupação para o Presidente Obama não será relativa a Raul Castro, mas antes evitar que a incompatibilização com seu homólogo da Venezuela, Nicolás Maduro, se torne dominante.

O Panamá recebe esta sexta-feira e sábado os líderes de 35 países do continente, num encontro que arranca sob alguma tensão.

"Vamos ter dois campos", afirmou Carl Meacham, diretor do Programa das Américas do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais. "Vamos ter os países ALBA (Associação Boliviana para os Povos da Nossa América). E depois países que apoiam o que os Estados Unidos estão a fazer mas que podem não ser explícitos nessas ajudas devido às sanções dos EUA", acrescentou, nas declarações concedidas à agência Associated Press.

Entre os 12 países dessa aliança de centro-esquerda criada pela Bolívia - que recentemente manifestaram o seu apoio à Venezuela face às sanções decretadas pelos Estados Unidos - encontram-se Cuba, Equador, Nicarágua e a própria Venezuela.

"Dada a habitual retórica anti-Estados Unidos que tem sido lançada pela Venezuela e a limitação dos movimentos dos diplomatas norte-americanos no país, é pouco provável que a postura da Venezuela na cimeira seja muito diferente", referiu a especialista norte-americana Shannon O'Neil, do Conselho para as Relações Regionais, em declarações prestadas à mesma agência de notícias, a propósito da previsível oposição que Obama irá receber de Maduro durante a cimeira.

Relacionamento difícil com Dilma

Também longe de pacífica é a relação de Obama com Dilma Rousseff, que o líder norte-americano reencontra após no ano passado ter sido revelado que a agência NSA espiou a Presidente brasileira, o que a levou a cancelar uma visita a Washington.

Entretanto, Obama deverá reunir-se já na sexta-feira com os oito países do Sistema de Integração da América Central, que incluem as Honduras, Guatemala e El Salvador. O Presidente dos EUA já anunciou que em 2016 tenciona conceder mil milhões de dólares de apoio à região, medida que ocorre em sequência do grande afluxo de imigrantes menores não acompanhados que surgiram no ano passado na fronteira do Texas.