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Internacional

A grande conversa de Putin

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Putin na grande conferência, ouvindo perguntas de telespetadores e audiência

Mikhail Klimentyev / EPA

O Presidente diz que a Rússia deve adaptar-se às sanções económicas, já que estas não deverão ser levantadas, mas está otimista de que a economia vai recuperar. Declarações de Vladimir Putin na tradicional conferência anual para responder a perguntas de telespectadores, onde foram ainda abordados temas como a Ucrânia, o Irão e até mesmo o assassínio do opositor político Boris Nemtsov.

Cátia Bruno

Cátia Bruno

Jornalista

Para o Presidente russo, Vladimir Putin, as sanções económicas do Ocidente são uma realidade que veio para ficar. Foi mesmo isso que o Presidente disse na tradicional conferência num estúdio de televisão, onde são colocadas perguntas pelos telespectadores e pela audiência, ao admitir não crer que EUA e União Europeia irão levantar as sanções impostas pelo envolvimento russo no conflito ucraniano. 

"Temos de usar esta situação para conseguir atingir um novo nível de desenvolvimento", disse Putin, destacando que há "sinais encorajadores" na economia russa e prevendo que haja uma recuperação "algures daqui a dois anos".  

"Não tenho razão para não acreditar nas estatísticas", resumiu o Presidente a vários russos que telefonaram para abordar as suas preocupações, que têm sido sobretudo económicas. Segundo a BBC, este ano os rendimentos dos russos diminuíram pela primeira vez desde que Putin chegou ao poder, em 1999. 

A economia dominou grande parte da primeira metade da conferência, mas outros assuntos foram abordados. Putin comentou a recente venda de mísseis ao Irão, dizendo que é notório "um desejo [dos iranianos] de chegar a um compromisso" e garantindo que os mísseis são uma arma defensiva.  

 

Putin "conciliatório" 

Também a Ucrânia foi um tema abordado, com o Presidente a assegurar que "não há tropas russas" naquele país, como conta o correspondente em Moscovo do "Guardian", Shaun Walker. No entanto, Walker destacou no Twitter o "tom conciliatório  de Putin", relativamente ao que é habitual no discurso do Presidente russo.  

Apesar disso, Putin reforçou a ideia de que a Ucrânia tem prejudicado deliberadamente a região de Donbass (a leste do país, onde continuam a decorrer combates), desde o início do conflito, através dos bloqueios económicos: "Pode dizer-se que as autoridades ucranianas estão a separar-se de Donbass por vontade própria", disse o Presidente. 

Foi ainda abordado o assassínio do opositor político Boris Nemtsov, pela voz da ex-deputada e candidata da oposição à presidência, Irina Khakamada, com Putin a declarar que pode não ser possível descobrir quem planeou a sua morte. 

Mais de dois milhões de russos enviaram questões para o programa, tendo depois sido selecionadas algumas. A jornalista da BBC em Moscovo, Sarah Rainsfor, diz que o evento é "altamente coreografado", mas que revela as preocupações dos russos. Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, as questões mais colocadas referem-se a apoios e políticas sociais. 

A transmissão tem a duração planeada de três horas, mas habitualmente estende-se bastante para lá do horário previsto. No ano passado, a conversa com Putin durou três horas e 55 minutos.