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Três explosões e dezenas de mortos, incluindo dois candidatos. Paquistão vai a eleições em ambiente de terror

BANARAS KHAN/Getty

Ataques sucessivos em vésperas de eleições legislativas no país, marcadas para 25 de julho, preocupam as autoridades. Só esta semana, já explodiram três bombas em comícios e morreram dois candidatos

Pelo menos 100 pessoas morreram esta sexta-feira em duas explosões no Paquistão, segundo números avançadas pelas autoridades do país. Ambas as explosões ocorreram durante comícios políticos, a primeira na cidade de Bannu, na província de Khyber Pakhtunkhwa, no noroeste do país, e a segunda na cidade de Dringarh, na província de Balochistan, no sudoeste. O Paquistão prepara-se para ir a eleições legislativas, marcadas para dia 25 de julho.

Em Bannu, uma bomba escondida numa moto explodiu no final de uma manifestação organizada por uma coligação de partidos religiosos (MMA). Morreram quatro pessoas e pelo menos 19 ficaram feridas. O candidato visado, Akram Khan Durrani, representante da coligação, sobreviveu ao ataque.

Horas depois, uma outra bomba haveria de explodir durante o comício de outro partido político (o Balochistan Awami) em Dringarh, matando pelo menos 85 pessoas, disse à agência de notícias AFP o ministro regional da Saúde, Faiz Kakar. O anterior balanço do atentado, entretanto reivindicado pelo Daesh, dava conta de 70 mortos e 120 feridos, dos quais 15 a 20 em estado crítico.

O candidato do partido às eleições, Siraj Raisani, foi uma das vítimas mortais, informou à “Al-Jazeera” o seu irmão. O governador Agha Umar Bangulzai garantiu ter reforçado a segurança em toda a província. “Não queremos que isto se repita. Todos os candidatos vão ser aconselhados e ter mais segurança”, disse, citado por aquela emissora árabe. Tem havido vários ataques na zona por parte de grupos armados como o Lashkar-e-Jhangvi (sunita radical), que têm como alvo os peregrinos xiitas que viajam com destino ao irão.

Na terça-feira, outro atentado suicida reivindicado pelos talibãs paquistaneses e ocorrido durante um comício em Peshawar, no noroeste do Paquistão, resultou em 20 mortos. Entre eles estava Haroon Ahmed Bilour, candidato do Partido Nacional Awami e cujo pai, também ele um político conhecido, foi morto num atentado suicida em 2012. O partido já havia sido alvo de represálias por militantes islâmicos por opor-se a grupos radicais como os talibãs.

Os ataques preocupam as autoridades, que temem que se verique uma situação semelhante à ocorrida nas últimas eleições, em 2013. Nas seis semanas que antecederam o sufrágio, morreram mais de 158 pessoas, segundo números do Pakistan Institute of Peace Studies.