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Síria. Netanyahu consegue compromisso de Putin de manter forças iranianas “a dezenas de quilómetros” de Israel

Mikhail Metzel/TASS/Getty Images

O primeiro-ministro israelita pretendia uma retirada total das forças de Teerão da Síria, como tem pedido insistentemente ao Presidente russo, mas Netanyahu não deixou de cantar vitória com o acordo, ainda não confirmado pelo Kremlin. Netanyahu antecipou o encontro com Putin em vários dias para falar com o Presidente russo ainda antes da reunião da próxima segunda-feira entre Putin e o Presidente dos EUA

Israel não se opõe aos planos do Presidente Bashar al-Assad de retomar o controlo total da Síria, um objetivo vital para a Rússia, enquanto o Kremlin se compromete a manter as forças iranianas “a dezenas de quilómetros” da fronteira com Israel. Não era o acordo que o primeiro-ministro israelita desejava, lembra o jornal “The New York Times”, mas Benjamin Netanyahu deixou Moscovo esta quinta-feira dizendo que tinha conseguido um importante compromisso do Presidente russo Vladimir Putin.

No terreno, as forças sírias, apoiadas pela Rússia e pelo Irão, estão a sitiar uma região do sudoeste da Síria controlada pelos rebeldes, levando centenas de milhares de pessoas a fugir para os territórios jordano e israelita. Esta quinta-feira, as forças de Assad recuperaram Daraa, a cidade conhecida como o berço da revolta contra o Presidente sírio.

No plano diplomático, Netanyahu antecipou o encontro com Putin em vários dias para falar com o Presidente russo ainda antes da reunião da próxima segunda-feira, em Helsínquia, entre Putin e o Presidente dos EUA, Donald Trump. No entanto, o compromisso de manter as forças iranianas a dezenas de quilómetros do território israelita está longe do que Netanyahu tem pedido a Putin: retirá-las completamente da Síria. E mesmo o compromisso de as manter afastadas não foi ainda confirmado pelo Kremlin, sublinha o “New York Times”.

Depois de sete anos de guerra, Assad consolidou o seu controlo sobre o centro do país e os seus principais centros populacionais, embora grande parte do território ainda permaneça fora do seu controlo. Depois da batalha de Daraa, os confrontos devem continuar para oeste, em direção à fronteira com os Montes Golã, ocupados por Israel, o que colocará o Governo sírio e os seus aliados perante outros rebeldes e um grupo jiadista ligado ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

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