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Jornalista escreve que moçambicanos vivem sob ameaça permanente de xenofobia na África do Sul

Hélio Filimone, jornalista no "Notícias", em Moçambique, escreveu um livro onde alerta para os preconceitos de que são alvo os moçambicanos na África do Sul, para onde emigram em grande quantidade. Filimone diz que a comunidade se tronou "um fácil bode expiatório"

Os moçambicanos vivem sob ameaça permanente de ataques xenófobos na África do Sul, porque são um "bode expiatório fácil", disse esta quinta-feira à Lusa o jornalista moçambicano Hélio Filimone, que lançou um livro sobre o assunto.

A obra intitula-se "Xenofobia na África do Sul: Moçambicanos como vítimas emblemáticas do fenómeno" e aborda em 152 páginas as motivações da onda de violência contra estrangeiros naquele país, em particular o ataque a moçambicanos.

Em declarações à Lusa, à margem do lançamento do livro em Maputo, Hélio Filimone considerou que os moçambicanos vivem sob o espetro da xenofobia na África do Sul, porque são um "bode expiatório fácil".

"Os moçambicanos sãos a maior comunidade de estrangeiros africanos na África do Sul, aceitam todo o tipo de trabalho e tem uma maior capacidade de sobrevivência com poucos recursos", explicou o jornalista, que trabalha no Notícias, o principal diário de Moçambique.

O facto de alguns moçambicanos prosperarem no meio de comunidades pobres da África do Sul constituírem famílias com parceiros deste país e de alguns se envolverem em crimes conduz a generalizações preconceituosas, acrescentou.

Hélio Filimone assinalou que as autoridades sul-africanas não têm feito o suficiente para os cidadãos do país deixarem de olhar para os estrangeiros africanos como a causa da pobreza, do desemprego e das profundas desigualdades na África do Sul.

"Penso que falta uma narrativa política esclarecedora sobre o contributo dos países africanos na libertação da maioria negra do apartheid, falta também uma aposta na educação para a convivência pacífica", defendeu Hélio Filimone.

Pakhamile Hlubi, jornalista sul-africana que prefaciou o livro, disse, durante o lançamento da obra, que os surtos de violência contra estrangeiros refletem a herança de violência deixada pelo sistema de segregação racial do "apartheid".

"O fim do apartheid trouxe a promessa de liberdade para a maioria negra sul-africana, mas o sistema económico discriminatório e opressor continua, as assimetrias sociais agudizaram-se", declarou Pakhamile Hlubi.

A obra lançada esta quinta-feira é a sétima do jornalista Hélio Filimone e é a terceira que aborda temas que o autor cobriu na atividade profissional.