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Internacional

Três das crianças que ficaram presas na gruta tailandesa são apátridas

TANG CHHIN SOTHY/GETTY

É a mesma situação em que se encontra o treinador da equipa de futebol, cuja atitude terá contribuído muito para salvar o grupo

Luís M. Faria

Jornalista

Três das crianças que passaram mais de duas semanas dentro da gruta de Tham Luang na Tailândia, bem como o treinador da equipa de futebol cuja presença terá contribuído muito para as salvar, são refugiados. Fogem da violência e do tráfico de droga, e encontraram nos Wild Boars (Javalis Selvagens) um possível passaporte para uma vida melhor.

A cidade onde a equipa se treina fica próxima do Triângulo Dourado, uma zona sem lei na confluência da Tailândia, de Myanmar (antiga Birmânia) e da China. Muitos refugiados vêm de Myanmar, cujo Governo não os reconhece como cidadãos. São portanto apátridas. Entre eles conta-se Adul, o adolescente de 14 anos que serviu de intérprete quando dois nadadores ingleses finalmente encontraram o grupo a 2 de junho, dez dias após terem desaparecido.

Os pais de Adul levaram-no à Tailândia com quatro anos e deixaram-no a cargo de uma igreja, para ele poder receber uma educação. Adul é o melhor aluno da sua turma, o que, juntamente com as suas capacidades, lhe valeu uma bolsa de estudo que cobre as propinas e o almoço diário. Foi Adul quem traduziu os pedidos, desde logo de comida, que os outros membros da equipa fizeram aos nadadores.

Outros dois membros da equipa, Mark e Tee, são igualmente apátridas. O fundador da equipa nota que isso os tem impedido de participar em torneios noutros lugares e diz ter esperançam agora, que eles recebam finalmente os documentos necessários. Entre outros, aqueles que lhes permitiriam aceitar a oferta da FIFA para assistir à final do Campeonato do Mundo se estiverem nas devidas condições de saúde.

O treinador da equipa, Ekkapol Chantawong, também é apátrida. Aos dez anos tornou-se monge budista, e só deixou essa condição anos depois, para ir tratar da sua avó. Mas o seu treino de meditação ter-lhe-á permitido ajudar as crianças a manter-se calmas e pouparem forças até o socorro chegar. Fosse por essa ou por outras razões, o bom humor de que deram provas quando ainda estavam presas surpreendeu o mundo.