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“Se ele quer uma arma, deve ter uma arma”. Mãe de atirador de Parkland deixou-o comprar a espingarda do massacre

Pool/ Getty Images

Em fevereiro, Nikolas Cruz atirou indiscriminadamente sobre os colegas da escola e fez 17 vítimas mortais. A espingarda usada foi uma AR-15, comprada enquanto ainda vivia com a mãe, que foi avisada por psicólogos de que o filho não deveria ter armas

Nikolas Cruz não devia comprar armas. O aviso foi dado pelos especialistas em saúde mental à mãe do jovem, Lynda Cruz, mas o alerta foi ignorado: “Se ele quer uma arma, deve ter uma arma”, terá a mulher afirmado aos psicólogos. E Nikolas começou a comprá-las, construindo em casa um pequeno arsenal.

Um dia, o jovem de 18 anos pegou numa dessas armas e foi até à Escola Secundária de Stoneman Douglas, em Parkland, no estado norte-americano da Florida. Atirou dezenas de vezes e acabou por matar 17 colegas. Tudo aconteceu a 14 de fevereiro passado. Agora, enquanto decorre a investigação, as autoridades consideraram Lynda Cruz como “agente facilitador”.

Cinco meses depois do massacre, que desencadeou manifestações contra a legislação norte-americana sobre o porte de armas e s facilidade em adquiri-las, o processo judicial está em curso e Nikolas Cruz é acusado pelo homicídio em primeiro grau de 17 pessoas. Os procuradores pedem a pena de morte, a defesa pede prisão perpétua sem direito a liberdade condicional e, em troca Cruz, declara-se culpado.

Esta segunda-feira, a comissão que está a investigar o caso, citada pela Associated Press, divulgou que, antes do tiroteio, as autoridades tiveram 39 interações com Nikolas Cruz e os psicólogos tiveram pelo menos 140 contactos com o jovem. No entanto, a mãe interferiu sempre. As autoridades acreditam que Nikolas sofria de depressão, estava a ser medicado, e que informou a mãe de que iria comprar uma arma, mas a mãe não terá conseguido perceber a razão pela qual o filho o ia fazer.

“Temos pessoas que estavam a prestar-lhe apoio, mas não estavam necessariamente a partilhar toda a informação para alguém ter a visão a 360 graus daquilo que se estava a passar.” Bob Gualtieri, sheriff de Pinellas County e responsável pela Comissão de Segurança Pública, defendeu, numa reunião realizada nesta segunda-feira, que houve uma "grande falta de comunicação" entre várias entidades. Por exemplo, a escola não tinha conhecimento de que o aluno tinha sido detido pela polícia por vandalizar propriedade escolar.

Lynda Cruz morreu no ano passado de pneumonia, quatro meses antes do massacre na escola. No entanto, Nikolas comprou a arma com que disparou, uma AR-15, um ano antes quando ainda morava com a mãe e esta estava saudável. E esta não foi a única aquisição. Após perder a mãe, continuou a comprar armas.

Poucos dias após o tiroteio, chegaram aos meios de comunicação documentos que comprovavam que um atraso no desenvolvimento mental fora diagnosticado a Nikolas Cruz aos três anos. Além disso, também foi confirmado que teve vários problemas disciplinares nas escolas por onde passou. Em 2014, quando frequentava o oitavo ano, foi levado para uma escola especializada em crianças com dificuldades emocionais e comportamentais. Frequentou este estabelecimento durante dois anos e só depois foi transferido para a Escola Secundária de Stoneman Douglas, em Parkland.

Na escola onde viria a matar 17 alunos, Nikolas voltou a ter problemas. Cerca de um ano antes do ataque, foi expulso por hostilizar colegas, evidenciar comportamentos agressivos e envolver-se em lutas. Em casa, contou o irmão mais novo Zachary Cruz ao “Miami Harold”, Nikolas chegou a apontar-lhe uma arma e fez o mesmo à mãe. Em nenhuma das ocasiões a polícia foi chamada.

O Departamento de Proteção de Menores visitou a família em setembro de 2016, depois de Nikolas Cruz ter publicado um vídeo nas redes sociais em que fazia cortes com uma lâmina no próprio corpo.