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Internacional

Pelo menos 12 pessoas morrem em ataque suicida no Paquistão

Um ataque suicida durante uma ação de campanha matou pelo menos 12 pessoas em Peshawar, no Paquistão

ABDUL MAJEED/Getty

Pelo menos 12 pessoas morreram esta terça-feira na cidade de Peshawar, no Paquistão, durante um comício de um partido anti-talibã, e mais quatro dezenas terão ficado feridas

Pelo menos 12 pessoas morreram num ataque suicida em Peshawar esta terça-feira, sendo uma delas Haroon Bilour, candidato do partido anti-talibã Awani (ANP) nas eleições de 25 de julho. As autoridades já confirmaram que Bilour era o alvo principal do ataque. “De acordo com a nossa investigação inicial, o ataque foi realizado por um bombista suicida e a intenção era a de matar Haroon Bilour”, disse à agência de notícias France Press Shafqat Malik , chefe da polícia da cidade. No ataque, que até agora não foi reivindicado, ficaram feridas cerca de 40 pessoas.

Não é a primeira vez que este partido é alvo de ataques terroristas já que é conhecida a sua oposição a todos os grupos extremistas islâmicos presentes no Paquistão, sendo o contingente talibã aquele que ainda detém uma maior presença. Haroon Bilour fazia parte de uma família influente e com antigas raízes na política paquistanesa, principalmente na província de Khyber-Pakhtunkhwa, da qual Peshawar é a capital, sendo também esta uma das zonas com mais sólida presença talibã. Foi o ANP que governou a província fronteiriça de 2008 a 2013 e, durante esse tempo, o Exército foi inclemente na perseguição aos extremistas em Swat Valley, que acabaram por matar centenas de candidatos do partido durante a campanha para as eleições de 2013. O pai de Haroon, Bashir Bilour, foi morto por um outro ataque suicida, em 2012.

O ataque acontece horas depois de as Forças Armadas do país terem anunciado um reforço gigante de militares para garantir a segurança nestas eleições: serão 371.388 homens nas ruas, cinco vezes o número destacado para as eleições de 2013, quando a segurança no país era bastante mais precária. Este número representa quase um terço de todos os efetivos disponíveis no país, que, no total, são quase um milhão de tropas.

O Major General Asif Ghafoor garantiu que os militares não se envolveriam na votação, coisa de que o Exército paquistanês é frequentemente acusado. “As pessoas deviam poder votar no candidato da sua escolha, sem medo. A nossa lealdade é apenas com o Paquistão”, disse o Major General.

O Exército governou o Paquistão, direta ou indiretamente, durante boa parte dos seus 70 anos como país independente e algumas organizações não governamentais têm acusado os militares de promover o medo entre jornalistas que escrevem sobre as alegadas tentativas de reterem o poder. As últimas sondagens não dão uma maioria de dois terços a qualquer das forças políticas, pelo que o Paquistão deverá ser governado por uma coligação.