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Internacional

Novo Governo turco tomou posse sem titular responsável pelas relações com a UE

Anadolu Agency/Getty

Novo Executivo inclui duas mulheres e quatro ministros provenientes do anterior gabinete

O novo governo da Turquia liderado pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan tomou nesta terça-feira posse no parlamento, com a redução de 26 para 16 ministros e a extinção da pasta das relações com a UE, que passa para o ministério dos Negócios Estrangeiros. A composição do gabinete tinha sido adiantada por Erdogan na segunda-feira, pouco após prestar juramento como chefe de Estado da "nova república", na sequência do referendo de abril de 2017 que substituiu o sistema parlamentar pelo sistema presidencial.

Erdogan venceu as eleições para a presidência de 24 de junho com 52,94% dos votos, enquanto o seu o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita-conservador) obteve 42,56% de votos nas legislativas, mas garantiu a maioria absoluta na Grande Assembleia Nacional (parlamento), agora com 600 lugares, na sequência da aliança eleitoral com a direita radical do Partido de Ação Nacionalista (MHP).

O novo Executivo inclui duas mulheres e quatro ministros provenientes do anterior gabinete, onde se incluem o dos Negócios Estrangeiros, Melvut Çavusoglu, do Interior, Suleyman Soylu, e da Justiça, Abdulhamit Gul. Fuat Oktay, antigo subsecretário do gabinete do primeiro-ministro, foi designado vice-presidente.

Oktay é considerado um dos ideólogos da metamorfose burocrática e administrativa que foi aplicada no país euro-asiático para introduzir o sistema presidencialista através da reforma constitucional aprovada no referendo do ano passado. Hulusi Akar, até ao momento chefe de estado-maior das Forças Armadas, assumiu a pasta da Defesa e foi substituído nas suas anteriores funções pelo general Yasar Güler, que liderava o ramo do exército.

Antes de prestar juramento no cargo, após a recondução, Cavusoglu anunciou hoje que no novo gabinete não haverá qualquer distinção entre as políticas a nível interno e externo, pelo facto de todos os ministérios trabalharem em coesão e unidade. Numa alusão às relações com a União Europeia (UE), o chefe da diplomacia turca assegurou que "apesar de todas as dificuldades" o país continuará "a progredir no processo" de aproximação.

Uma das nomeações mais polémicas foi a de Berat Albayrak, genro de Erdogan e que já integrava o anterior gabinete, à frente do ministério das Finanças. Esta decisão do Presidente, que com os seus novos poderes executivos nomeia todos os seus ministros diretamente por decreto, foi recebida com desconfiança pelos investidores estrangeiros, com reflexos na queda da lira turca face ao dólar e ao euro.