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Internacional

Fim do “estado de guerra” entre Etiópia e Eritreia abre caminho à cooperação económica

Primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed (esq.), ao lado do ministro dos Negócios Estrangeiros da Eritreia, Osman Saleh Mohammed (dir.)

YONAS TADESSE/AFP/Getty Images

A declaração de paz foi assinada esta segunda-feira durante uma reunião sem precedentes entre os líderes dos dois países. A paz contempla um acordo para o desenvolvimento conjunto de portos eritreus, o que daria à Etiópia — que não tem acesso ao mar mas está entre as economias que mais rapidamente crescem em África — uma saída para o Mar Vermelho. As tensões entre os dois países provocaram 80 mil mortos

Depois de colocarem um ponto final no dispendioso impasse militar de duas décadas, a Etiópia e a Eritreia parecem preparadas para colher os dividendos da paz. A análise é da agência de notícias Reuters, que refere que os dois países podem agora reduzir os gastos com a defesa e redirecionar os fundos para áreas com maiores benefícios a longo prazo, como escolas ou estradas.

De um significado económico superior reveste-se o acordo para o desenvolvimento conjunto de portos eritreus, o que daria à Etiópia — que não tem acesso ao mar mas está entre as economias que mais rapidamente crescem em África — uma saída para o Mar Vermelho.

O fim do “estado de guerra” entre os países vizinhos foi anunciado esta segunda-feira no culminar de uma visita de dois dias do primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, à Eritreia. O ministro eritreu da Informação, Yemane Meskel, escreveu no Twitter que “o estado de guerra que existia entre os dois países chegou ao fim”, dando-se início a “uma nova era de paz e amizade” e comprometendo-se os países a trabalharem para promover a “cooperação nas áreas política, económica, social, cultural e de segurança”.

A declaração de paz foi assinada durante uma reunião sem precedentes entre os líderes dos dois países na capital da Eritreia, Asmara.

Em junho, a Etiópia anunciou que iria aceitar na totalidade os termos de um acordo de paz com a vizinha Eritreia. A manifestação de vontade foi vista como um importante passo para acalmar as tensões entre os dois países, que já provocaram 80 mil mortos.

Um conflito com um quarto de século

Em 1993, os eritreus separavam-se da Etiópia na sequência de um referendo esmagador a favor da independência. Contudo, os vizinhos entrariam rapidamente em guerra por causa da fronteira partilhada.

A guerra entre a Etiópia e a Eritreia decorreu entre maio de 1998 e junho de 2000, levando os dois países a gastarem centenas de milhões no conflito e a sofrerem dezenas de milhares de baixas. O acordo assinado em 2000 punha fim ao conflito, mas não por muito tempo.

Nos anos seguintes, centenas morreram em confrontos periódicos depois da recusa etíope em aceitar uma comissão de fronteira, apoiada pelas Nações Unidas, que dividia o território disputado entre os dois países.