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Turquia. Mais 18 mil funcionários públicos despedidos na véspera da tomada de posse de Erdogan

REUTERS/Stoyan Nenov/File Photo

Trata-se da mais recente purga justificada pelo regime como resposta ao golpe de Estado fracassado de 2016. Recep Erdogan toma posse esta segunda-feira para mais um mandato como Presidente da Turquia na sequência da vitória, com 53% dos votos, nas eleições do mês passado. Ao abrigo das mudanças constitucionais, aprovadas em referendo no ano passado, o Parlamento sai bastante enfraquecido e o cargo de primeiro-ministro é abolido

A Turquia despediu mais 18 mil funcionários públicos na véspera da tomada de posse do Presidente Recep Erdogan para mais um mandato, agora com poderes reforçados. Trata-se da mais recente purga justificada pelo regime como resposta ao golpe de Estado fracassado de 2016.

Entre os trabalhadores despedidos contam-se soldados, agentes da polícia e académicos, sendo que um canal de televisão e três jornais também foram fechados. Desde a tentativa de golpe, mais de 125 mil pessoas foram demitidas, o estado de emergência continua a vigorar e a repressão aos meios de comunicação social e à oposição tem sido uma constante.

Esta segunda-feira, Erdogan toma posse na sequência da vitória, com 53% dos votos, nas eleições do mês passado. Ao abrigo das mudanças constitucionais, aprovadas em referendo no ano passado, o Parlamento sai bastante enfraquecido e o cargo de primeiro-ministro é abolido. Assim, o Presidente poderá nomear ministros e intervir no sistema judicial.

Em maio, a Turquia emitiu mandados de prisão para 101 membros da Força Aérea, incluindo um general e vários coronéis, suspeitos de ligações ao movimento de Fethullah Gülen. As autoridades de Ancara responsabilizam o movimento de Gülen, líder religioso exilado nos EUA, pela tentativa de golpe de Estado de 2016. Gülen nega qualquer envolvimento.

O país encontra-se em estado de emergência desde julho desse ano na sequência da morte de cerca de 300 pessoas durante o golpe falhado.

Erdogan está na cúpula do poder turco há 15 anos, primeiro como primeiro-ministro, entre 2003 e 2014, e desde então como Presidente do país.

  • Ordem de prisão para mais de uma centena de elementos da Força Aérea turca

    Os militares são suspeitos de ligações ao movimento de Fethullah Gülen, que Ancara acusa de ter estado por trás da tentativa de golpe de Estado de 2016. O Governo de Recep Erdogan diz que o movimento está a orquestrar “um Estado paralelo” dentro das estruturas civis e militares. O líder religioso, exilado nos EUA, nega qualquer responsabilidade

  • Uma coligação de estranhos

    O Presidente turco, Recep Erdogan, tem mais poder do que nunca mas nunca esteve tão perto de o perder. A primeira volta das eleições presidenciais realiza-se este domingo e coincide com as parlamentares, uma estreia na democracia turca. A oposição está unida numa coligação de estranhos, unidos contra Erdogan. O secularismo está em risco de erosão ou vai sair reforçado?