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Nigel Farage pode voltar a liderar eurocéticos do UKIP se Brexit “não entrar nos eixos”

FESTA “Os deputados do Ukip no Parlamento Europeus são os perus que votaram a favor do Natal”, disse Farage sobre o Brexit aquando da vitória no referendo

DYLAN MARTINEZ / REUTER

Nigel Farage, o homem que liderou a campanha para a saída do Reino Unido da União Europeia através do seu Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) afastou-se do partido depois de vencida a batalha. Agora, diz que a situação atual do Brexit o pode obrigar a regressar à luta política

Ana França

Ana França

Jornalista

Nigel Farage, ex-líder do Partido para a Independência do Reino Unido (UKIP) e um dos maiores impulsionadores da campanha para a saída do país da União Europeia, já ameaçou regressar ao UKIP uma terceira vez, caso o Brexit não seja “colocado de volta nos eixos”.

As declarações de Farage surgem no seguimento daquele que foi um dos dias mais complicados para o governo de Theresa May que já tem dois ministros a menos no espaço de um dia de trabalho. David Davis, ministro para o Brexit apresentou a demissão na manhã desta segunda-feira e logo a seguir foi Boris Johnson, um dos mais fortes nomes dentro da ala eurocética do partido, a entregar a May a sua carta de demissão.

Apesar de ser um forte crítico da União Europeia, Nigel Farage é atualmente eurodeputado pelo Sudeste de Inglaterra e avisou que iria pôr em marcha uma campanha “em todo lado” se o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que aciona a saída de um membro do bloco, fosse “suspenso ou protelado”, descrevendo esta possibilidade como a sua “linha vermelha”.

“Em março de 2019 chega ao fim o mandato do atual líder do UKIP Gerard Batten. A menos que até lá o processo regresse aos eixos, então terei que considerar seriamente colocar o meu nome na corrida a próximo líder do UKIP”, escreveu Nigel Farage num artigo publicado do diário britânico “The Daily Telegraph”.

O homem que já defendeu um segundo referendo como “única forma de consolidar o Brexit” e tem sido muitas vezes acusado de promessas falsas durante a campanha (sendo a mais famosa a dos ‘350 milhões’ que, saindo da Europa, seriam canalizados para o Sistema Nacional de Saúde, coisa que não há prova que se possa concretizar), aproveitou para criticar fortemente o acordo que Theresa May assinou na sexta-feira com o seu gabinete de ministros. “Nunca pensei em dizer isto de novo, mas esta última traição do governo deixa-me sem alternativa. A traição tem que ser revertida”, escreveu.

Farage acrescentou que “nunca quis uma carreira na política”, apenas “parar o país que eu amo de ser sugado ainda mais para dentro de uma união política e económica que não é natural à maioria dos meus compatriotas”.

Depois de publicado o artigo, Nigel Farage, no seu habitual comentário na rádio LBC, voltou a reforçar que está preparado para lutar pela liderança e deixou uma ameaça aos Conservadores: “Posso garantir a todos os Conservadores que estão a ouvir isto e que não estão preparados para apoiar os desejos dos seus eleitores que os farei perder os lugares. Porque há milhões de eleitores conservadores mesmo muito revoltados”, disse Farage.

Logo depois de conhecida a decisão de Boris Johnson em abandonar o governo, Farage deu os parabéns, no Twitter, ao ex-ministro dos Negócios Estrangeiros acrescentando que agora só falta “livrarem-se da terrível Theresa May” para “colocar de novo o processo do Brexit a correr”.