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Israel anuncia encerramento da única passagem com a Faixa de Gaza

Judeu ultraortodoxo passeia-se no colonato religioso de Ramat Shlomo, numa área da Cisjordânia anexa a Jerusalém Foto Baz Ratner / Reuters

Baz Ratner/ reuters

Enquanto confirmava o encerramento imediato da passagem, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou no parlamento que Israel se preparava para “tomar outras medidas para lutar contra o Hamas”, movimento islamita que dirige o enclave

O exército israelita anunciou hoje o encerramento do único ponto de passagem de mercadorias entre Israel e a Faixa de Gaza, em reação aos papagaios de papel incendiários lançados do enclave.

Desde 30 de março os palestinianos têm realizado várias manifestações ao longo da barreira que separa Gaza de Israel para denunciar o bloqueio israelita, que dura há mais de 10 anos, e exigir o direito de regresso dos palestinianos às terras de onde fugiram ou foram expulsos devido à criação de Israel, em 1948.

"Em reação aos ataques terroristas em curso, realizados pelo Hamas, que explora e coloca em risco os habitantes de Gaza, o primeiro-ministro (Benjamin Netanyahu) e o ministro da Defesa (Avigdor Lieberman) decidiram encerrar a passagem de Kerem Shalom hoje", indicou o exército, em comunicado.

Enquanto confirmava o encerramento imediato da passagem, Netanyahu afirmou no parlamento que Israel se preparava para "tomar outras medidas para lutar contra o Hamas", movimento islamita que dirige o enclave, sem dar mais detalhes.

As autoridades israelitas estão com dificuldade em eliminar a vaga de incêndios provocada pelos balões e papagaios, que se tornaram desde o fim de março o símbolo da mobilização palestiniana. "Houve cerca de 750 incêndios que queimaram 26 mil dounams (2.600 hectares) em cerca de 100 dias", afirmou à AFP o porta-voz dos bombeiros israelitas.

Este estimou "em vários milhões de shekels" (1 shekel equivale a 0,23 euros) o montante dos desgastes, cem avançar um número mais preciso. O encerramento da passagem vai agravar a situação humanitária, que já é muito precária na Faixa de Gaza, submetida a um severo bloqueio israelita desde há mais de 10 anos e onde mais de 80% da população depende de ajuda externa, seguindo o Banco Mundial.

O exército israelita adiantou que a passagem de Kerem Shalom estará aberta apenas para necessidades humanitárias.
Por outro lado, os militares israelitas acrescentaram que a zona de pesca da Faixa de Gaza, que tinha sido estendida para nove milhas náuticas (17 quilómetros) desde maio, vai ser reduzida novamente para seis milhas.

Os acordos israelo-palestinianos de Oslo, assinados em 1993, previam uma zona de pesca até às 20 milhas náuticas desde a costa. Mas Israel tem-na reduzido por várias vezes.