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“É a realidade do país: quando vivemos no Haiti, estamos zangados”

ANDRES MARTINEZ CASARES/ reuters

Barricadas, fogo, confrontos. No Haiti, pede-se a saída imediata do Presidente. Há três dias que o país é palco de manifestações violentas na sequência do aumento do preço dos combustíveis

O anúncio: o aumento entre 38% e 51% na gasolina, gasóleo e querosene (petróleo iluminante). A consequência: violentos protestos nas ruas, barricadas, incêndios e pilhagens. No Haiti, sobretudo na capital Port-au-Prince, dezenas de pessoas manifestaram-se contra a nova medida tomada pelo Governo e, esta segunda-feira, anunciaram uma greve-geral de dois dias e exigiram a demissão imediata do Presidente, Jovenet Moise.

“É a realidade do país: quando vivemos no Haiti, estamos zangados, frustrados com a forma que os políticos gerem as coisas”, explicava Alphonse Charles à AFP. Falava ao lado do que resta do carro queimado e das lojas vandalizadas e roubadas. “Tenho de continuar a viver.Alphonse Charles lamenta que as pessoas se “tenham deixado levar” e que os protestos se tenham tornado violentos.

Após o anúncio, a violência aumentou no Haiti. O aumento do preço na gasolina, gasóleo e querosene está prevista na redução de apoios estatais aos combustíveis como parte do Programa de Assistência Económica e Financeira, que está a ser implementado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O primeiro-ministro, Jack Gay Lafontant, garantiu que a subida do custo era necessária para equilibrar o orçamento. A decisão não foi bem recebida pelos haitianos e, devido aos protestos no fim de semana, a administração cedeu à pressão e Lafontant suspendeu a medida.

Pelo menos três pessoas morreram nos protestos e as autoridades confirmaram ter encontrado quatro cadáveres num dos bairros da capital, mas não confirmaram se as mortes foram causadas pelas manifestações.

As imagens mostram barricadas nas principais ruas de Port-au-Prince, assim como pneus e carros queimados. Manifestantes tentaram incendiar uma bomba de gasolina, mas as autoridades conseguiram impedir a iniciativa. Um hotel localizado num dos bairros mais ricos da capital foi atacado. A Embaixada dos Estados Unidos aconselhou os cidadãos norte-americanos a manterem-se protegidos e a evitarem deslocar-se para o aeroporto, onde já se juntou muita gente e onde os recursos são limitados.

“Serviços de telecomunicações, incluindo Internet e rede de telemóvel, foram completamente afetadas no Haiti. Pode ser difícil falar com as pessoas através dos métodos normais”, referiu a embaixada, citada pelos meios de comunicação dos EUA. Dezenas de pessoas encontram-se no aeroporto de Port-au-Prince à espera, uma vez que vários voos para a cidade foram cancelados pelas companhias aéreas.

Esta segunda-feira, as embaixadas do México e do Canadá não abriram os respetivos serviços.