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“As piores cheias” em 35 anos já mataram 124 pessoas no Japão

ISSEI KATO/ reuters

Autoridades esperam que nas próximas horas o número possa aumentar. Cerca de 60 pessoas continuam desaparecidas e mais de um milhão de pessoas foi aconselhada a deixar a sua casa. Hiroshima é uma das zonas mais afetada

Chuvas fortes, cheias, deslizamentos de terras, tempestades, nevoeiro cerrado. No Japão, os alertas sobre o mau tempo, que há três dias assola o país, continuam ativos. Esta segunda-feira é o quarto dia e, em algumas zonas, o tempo começa a melhorar.

Existem ruas estão submersas - há quem caminhe com as calças arregaçadas até às coxas para não ensopar a roupa -, carros ficam enterrados na lama e há casas destruídas. As autoridades confirmam 124 mortos devido àquelas que são “as piores cheias desde 1983”. Mas o núimero de vítimas mortais pode ser mais elevado, agora que estão a começar as operações de busca e salvamento. “O número de desaparecidos continua a subir, sobretudo em Hiroshima, uma das zonas mais atingidas”, afirmou o porta-voz do Governo.

Só nesta segunda-feira, segundo o canal de televisão estatal NHK, as autoridades confirmaram mais de 100 mortos: 47 na região de Hiroshima, 36 em Okayama e 25 em Ehime. Estão ainda desaparecidas cerca de 60 pessoas. O governo nipónico deu garantias de que as áreas afetadas pelas fortes chuvas vão receber ajuda financeira para reconstruir aquilo que foi destruído pelo mau tempo. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, convocou também uma segunda reunião de emergência do Executivo e cancelou as deslocações e compromissos no estrangeiro.

Mais de um milhão de pessoas foram aconselhadas a sair das suas casas, cerca de dez mil estão em zonas seguras criadas pela proteção civil para albergar deslocados. Mais de 11 mil casas estão sem eletricidade, informaram as empresas energéticas, citadas pela agência Reuters. Na cidade de Kurashiki, na província de Okayama – uma das mais afetadas-, militares das forças armadas foram destacados para ajudar idosos a abandonar as suas casas.

Miyuki Komada, 37 anos, é de Kurashiki. Quando os níveis de água começaram a subir na cidade, tentou ligar à mãe, de 70 anos. Ninguém atendeu. Tentou outra vez e nada. A mãe de Miyuki Komada estava em casa, a recuperar de uma constipação. “Se não tivesse ido, muito provavelmente a minha mãe teria ficado deitada na cama sem se mexer”, contou a mulher à CNN. Miyuki Komada conseguiu, juntamente com o irmão, chegar a casa da mãe e retirá-la quando pelas ruas já se ouviam as sirenes que assinalavam a ordem de evacuação do local. Ao saírem de casa, a água passava a altura do joelho. Minutos depois, um dique próximo rebentou e o nível de água subiu rapidamente até ao nível dos ombros.

Esta segunda-feira, o Instituto de Meteorologia do Japão mantinha o aviso vermelho – o segundo mais grave numa escala de quatro – em seis províncias do país (Nagano, Shizuoka, Aichi, Okayama, Kagoshima, Okinawa-honto Chiho). No entanto, grande parte do território está sob aviso amarelo – o terceiro mais grave – devido às fortes chuvas, nevoeiro cerrado e agitação marítima.