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O que sabemos do primeiro dia de resgate na Tailândia: quatro dormem cá fora, oito ainda lá dentro

Lauren DeCicca/GETTY

Correu o “melhor possível”, mas não acabou. A missão de resgate dos 13 jovens há duas semanas encurralados numa gruta na Tailândia só prossegue quando renovarem as reservas de oxigénio, daqui a no máximo 20 horas (Artigo atualizado às 17h35)

Naquela que já é apontada como uma das maiores operações de resgate deste século, quatro dos rapazes que há duas semanas se encontravam encurralados na gruta de Tham Luang, na Tailândia, foram trazidos à superfície este domingo. Um deles inspira especiais cuidados e está ser "monitorizado de perto", mas, em geral, disse o chefe da equipa de socorro e governador de Chiang Rai, Narongsak Osottanakorn, o cenário foi o "melhor" possível e tudo está a correr "melhor do que o esperado". O nível da água estava abaixo do previsto, o que favoreceu a operação. As quatro crianças resgatadas foram transportadas de imediato para o hospital Prachanukroh. Os seus nomes ainda não foram revelados.

A equipa de salvamento, constituída por 50 mergulhadores estrangeiros e 40 tailandeses, vai suspender os trabalhos por um período entre 10 a 20 horas, para renovar as reservas esgotadas de oxigénio. A operação foi interrompida pouco antes das 21h locais (15h em Lisboa). Neste momento, o recomeço da missão está previsto para as 8 horas locais, 2h da madrugada em Lisboa. Falta ainda socorrer oito das 12 crianças que fazem parte de uma equipa de futebol e o seu treinador de 25 anos, que ainda aguardam no interior da caverna, a 4 km da entrada da gruta, junto à praia de Pattaya. Além dos mergulhadores, cerca de mil pessoas de nacionalidades variadas estão envolvidas na operação.

Peter Foulding, fundador do Grupo Internacional de Especialistas – peritos em busca e resgate submarino – qualificou como "incrível" a resposta internacional. À televisão "Sky News", disse ter sido uma sorte que a equipa tenha conseguido bombear água antes do início da operação, caso contrário "teriam sido 4 km a nadar debaixo de água".

Outro perito, Steve Whitlock, que fez parte da missão de resgate numa das minas mais profundas do México, em declarações à BBC, alertou o público para a necessidade de ser um pouco mais contido no entusiasmo, porque "temos ainda um imenso número de pessoas, incluindo membros da equipa de resgate, que ainda precisa de sair da gruta".

A operação começou às 10h locais (4h em Lisboa), tendo sido resgatado o primeiro rapaz quase oito horas depois. Às 17h40 hora local – 11h40 hora de Lisboa – a extração das crianças presas na gruta tornava-se realidade, num cenário que desde cedo estava a ser anunciado. Logo na manhã de domingo, as autoridades decidiram avançar com o salvamento, uma vez que é esperado um agravamento das condições meteorológicas na região.

O método escolhido para o resgate foi a separação dos 12 rapazes e o treinador em quatro grupos – quatro jovens no primeiro e três nos restantes, sendo que o treinador fará parte do último. Cada grupo tem de percorrer várias horas dentro da gruta, guiado por uma corda instalada pelas equipas de salvamento, sendo que o primeiro quilómetro é feito em submersão, com passagens estreitas, escuras e lamacentas, além de correntes fortes. Cada criança está a ser acompanhada por dois mergulhadores.

A meio da tarde, o jornal "The Guardian" admitiu que os rapazes possam ter sido sedados para facilitar o resgate, não confirmando esta informação. Nesta altura, as autoridades estão preocupadas com a forte precipitação que se faz sentir, uma vez que a subida do nível da água poderá dificultar a operação.