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Turquia emite 346 novos mandados de captura contra membros das forças armadas

Presidente turco, Recep Erdogan, acompanhado da mulher, Emine Erdogan, num comício pré-eleitoral em Saravejo, o único fora da Turquia antes das eleições de 24 de junho

OLIVER BUNIC/AFP/Getty Images

Procurador de Istambul emitiu os mandados de detenção para 271 soldados, dos quais 122 no ativo, e o de Izmir outros 75

As autoridades turcas emitiram nesta sexta-feira mandados de captura contra 346 membros das Forças armadas suspeitos de ligações aos presumíveis instigadores do fracassado golpe de estado de julho de 2016, referiu a agência estatal Anadolu.

O procurador de Istambul emitiu os mandados de detenção para 271 soldados, dos quais 122 no ativo, e o de Izmir outros 75, precisou a agência. No entanto, e na sequência destas operações desencadeadas através do país, a agência Anadolu não precisou o número de soldados efetivamente detidos.

Os visados são suspeitos de ligações com as redes do predicador Fethullah Gülen, acusado por Ancara de ter fomentado a tentativa de golpe. Exilado nos EUA desde 1999, Gülen tem negado qualquer envolvimento.

Em paralelo, um tribunal de Istambul condenou a pesadas penas de prisão seis jornalistas por acusações relacionadas com terrorismo, violação da Constituição e outros crimes, e quando se têm intensificado as críticas internas e internacionais sobre a liberdade de expressão e a situação dos 'media' no país euro-asiático. No entanto, o tribunal absolveu outros cinco jornalistas do agora extinto diário Zaman, considerado próximo de Gülen e do seu "movimento Hizmet".

O colunista Mumtazer Turkone e o chefe de redação da delegação de Ancara, Mustafa Onal, foram condenados a mais de 10 anos de prisão. O jornalista Ibrahim Karayegen vai cumprir nove anos, e os colunistas Ali Bulac, Sahin Alpay e Turan Alkan foram sentenciados com oito anos de detenção cada um.

Cerca de 77.000 pessoas foram detidas no âmbito das purgas desencadeadas após a tentativa de golpe de Estado, e mais de 140.000 foram despedidas ou suspensas da função pública. Ainda hoje, as Forças Armadas turcas anunciaram que abateram nos últimos sete dias 49 supostos membros do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), em operações no sudeste da Turquia e no norte do Iraque.

Em comunicado publicado na sua página digital e citado pela agência noticiosa Efe, o comando militar afirma que "49 guerrilheiros foram neutralizados", um termo habitualmente utilizado para fazer referência aos combatentes mortos, feridos ou capturados.

Os confrontos entre soldados turcos e a guerrilha curda são frequentes desde que a Turquia e o PKK romperam no verão de 2015 o cessar-fogo que se prolongava há dois anos, um período em que negociaram um acordo de paz duradouro.