Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Quem era Saman Kunan, o voluntário que morreu a ajudar no resgate na Tailândia

STRINGER/ Reuters

Era um antigo membro das forças especiais da marinha tailandesa. Tinha 38 anos. Morreu depois de ter transportado garrafas de oxigénio para a galeria onde se encontram os 12 jovens e o treinador de futebol encurralados há quase duas semanas numa gruta

Devia ser perto da uma da manhã desta sexta-feira (início da noite de quinta-feira em Portugal), quando Saman Kunan ficou sem ar. Fazia o caminho de regresso entre a galeria onde estão os 12 jovens e o treinador de futebol encurralados há quase duas semanas nas grutas de Tham Luang, na Tailândia, e o exterior, onde as equipas de resgate montaram um acampamento que só de lá sairá quanto não houver mais ninguém para resgatar. Saman Kunan, veterano das forças especiais da marinha, tinha-se voluntariado para participar nas operações de salvamento. Hoje, tinha como tarefa levar oxigénio até às crianças. E levou. Mas não sobreviveu ao regresso.

Foi levar oxigénio. E quando voltou não o tinha em quantidade suficiente para durar até ao fim do percurso”, anunciou Narongsak Osottanakorn, governador de Chiang Rai na manhã desta sexta-feira. Saman Kunan tinha 38 anos, era oriundo de Roi Et, uma província situada a mais de 800 quilómetros das grutas. Quando ficou sem ar, Kunan estava a cerca de meio caminho e com um companheiro a seu lado.

Era mergulhador profissional e, segundo a imprensa internacional, praticava desporto frequentemente: corrida e ciclismo, além de participar em provas de triatlo. “Durante anos, fui colega dele numa série de atividades desportivas. Era altruísta, adorava cuidar dos outros. Sempre foi muito dedicado ao seu trabalho”, contou à BBC Saeree Ruangsiri, que esteve com Saman Kunan na escola da Marinha.

Quando recebi a chamada fiquei em choque. Era um atleta incrível. Foi meu aluno e juntou-se à escola da Marinha quando terminou o ensino obrigatório”, recordou também à BBC o ex-treinador do veterano, Chalong Panpong. “Aprendeu logo a mergulhar. Depois foi para as forças especiais durante algum tempo”, acrescentou. Por fim, Saman Kunan deixou a vida militar e, em 2006, começou a trabalhar no aeroporto – que numa nota explicou que o mergulhador pertencia, também, a uma equipa de assistência a resgates.

ATHIT PERAWONGMETHA

Saman Kunan, que já tem sido referido em alguns jornais tailandeses como uma espécie de herói nacional, era casado e não tinha filhos.

Era um marinheiro capaz e talentoso, bem como um triatleta. Amava desportos arriscados. Mesmo quando deixou as forças especiais, manteve contacto e laços com os restantes companheiros”, lê-se numa nota deixada pelas forças especiais da Marinha tailandesa pouco depois de ser confirmada a morte do veterano. “Deixou-nos enquanto estava a trabalhar como mergulhador num momento em que todos os mergulhadores se uniram para completar esta missão. O seu esforço e determinação vão ser sempre relembrados pelos nossos mergulhadores.”

O caminho que Saman Kunan percorreu e a forma como o fez é uma das hipóteses para resgatar as 13 pessoas que há quase duas semanas estão nas grutas. Mas esta possibilidade não vai concretizar-se para já, uma vez que as autoridades recusaram a ideia de que os jovens sejam retirados ainda esta sexta-feira. “Não há qualquer hipótese de saírem hoje [sexta-feira]. Não é possível, ainda não sabem mergulhar”, disse o governador.

Conseguimos sentir o efeito, mas vamos continuar

Quando, esta manhã, se soube da morte de Saman Kunan, o ambiente no exterior das grutas tornou-se pesado, descreveu a CNN. Nesse momento, quem ali estava ficou sem dúvidas sobre a dificuldade e o perigo da missão.

Sem dúvida que sentimos o efeito do que aconteceu, mas temos de seguir em frente. Aqui somos todos profissionais e estamos a tentar pôr isto para trás e a evitar que volte a acontecer”, explicava Mikko Paasium, voluntário finlandês, em declarações à mesma estação de televisão norte-americana.

No sábado, 23 de junho, tal como já era habitual, a equipa de futebol dos Moo Pa treinou. Depois, jogadores e treinador foram dar um passeio nas grutas de Tham Luang e, apesar dos avisos para não entrarem no local em tempo de chuva, acabaram por fazê-lo. Quando começou a chover, a água escorreu para o interior das grutas, que foram ficando progressivamente inundadas. O caminho que tinham percorrido ficou bloqueado, impedido a saída do grupo.

No início desta semana, os 12 jovens e o treinador foram encontrados pelas autoridades, mas ainda não se sabe como as crianças vão ser retiradas da gruta.