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Ministro do Trabalho do Brasil investigado por fraude demitiu-se

ADRIANO MACHADO / REUTERS

O ministro do Trabalho brasileiro, Helton Yomura, que está sob investigação por fraude, demitiu-se esta quinta-feira após ter sido suspenso do cargo pelo Supremo Tribunal

O ministro do Trabalho brasileiro, Helton Yomura, que está sob investigação por fraude, demitiu-se esta quinta-feira após ter sido suspenso do cargo pelo Supremo Tribunal.

O presidente do Brasil, Michel Temer, "recebeu e aceitou a carta de renúncia do ministro, a quem agradeceu pelo trabalho realizado", refere-se num comunicado da presidência.

"Nunca cometi nenhuma irregularidade ou irregularidade no meu trabalho no ministério", escreveu Yomura na sua carta de renúncia, citada pelo jornal O Globo.

O Ministro do Trabalho brasileiro foi suspenso do cargo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante uma ação realizada em Brasília pela Polícia Federal (PF), que investiga fraudes em registos sindicais.

A PF também cumpriu na quinta-feira um mandado de busca e apreensão no gabinete do deputado federal Nelson Marquezelli.

A ação PF é um desdobramento da operação "Registo Espúrio", que desmantelou uma suposta organização criminosa integrada por políticos e funcionários públicos que teria cometido fraudes na concessão de registos de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília e no Rio de Janeiro.

Além das buscas, autorizadas pelos STF a pedido da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram impostas aos investigados providências cautelares para proibir que os políticos frequentem o Ministério do Trabalho e mantenham contacto com os demais investigados ou funcionários.

Segundo a PF, as investigações e o material apreendido nas primeiras fases da operação "Registo Espúrio" indicam a integração de novos atores e apontam que cargos da estrutura do Ministério do Trabalho foram preenchidos com pessoas comprometidas com os interesses do grupo criminoso, permitindo a manutenção das ações ilícitas.

Em maio deste ano, a polícia fez buscas nos gabinetes dos deputados federais Paulinho da Força, Jovair Arantes e Wilson Filho, cujas prisões chegaram a ser pedidas pela PF, mas o juiz Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, não autorizou.

Segundo as investigações, o "núcleo político" do suposto esquema teria como participantes, além destes deputados, o deputado Roberto Jefferson; o suplente de deputado Ademir Camilo Prates Rodrigues; e os senadores Dalírio Beber e Cidinho Santos, atualmente com o mandato suspenso.

A PF também pediu a prisão de Roberto Jefferson, mas Edson Fachin não autorizou. Segundo o juiz, há indícios de que Jefferson sabia do esquema, mas não beneficiou com isso.

Em São Paulo, os agentes da polícia fizeram buscas na Força Sindical e na União Geral dos Trabalhadores (UGT).

Outros alvos da operação, para os quais havia mandados de prisão emitidos, são Leonardo José Arantes e Rogério Papalardo Arantes, sobrinhos do deputado Jovair Arantes.