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Internacional

Família de Anne Frank terá tentado fugir para os Estados Unidos

ullstein bild Dtl./Getty Images

Documentos obtidos por historiadores mostram que Otto Frank, pai de Anne Frank, tentou tirar a família da Holanda em pelo menos duas ocasiões. “Guerra e burocracia americana” terão impedido, contudo, a família de fugir

“Não temos outra opção a não ser emigrar e parece-me que os EUA são o único país para onde podemos ir”, escrevia Otto Frank, pai de Anne Frank, numa carta enviada em 1941 a um amigo que vivia então nos Estados Unidos. Não se tratou de uma mera intenção, tendo de facto Otto Frank tentado tirar a família da Holanda em pelo menos duas ocasiões, segundo documentos obtidos por historiadores e divulgados pela Casa Anne Frank, em Amesterdão, e pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.

Quando enviou a carta ao amigo que vivia nos EUA, Otto Frank já tinha, aliás, feito a primeira tentativa para sair do país. Três anos antes, em 1938 - ano em que a Alemanha nazi anexou a Áustria e uma parte da antiga Checoslováquia e em que se deu aquela que ficaria conhecida como “a noite dos cristais quebrados”, de 9 para 10 de novembro, em que foram destruídos símbolos judaicos, sinagogas, casas comerciais e residências onde viviam cidadãos judeus - formalizara o pedido de saída junto do consulado americano na cidade de Roterdão. No entanto, e enquanto a família aguardava por uma resposta, um bombardeamento alemão destruiu o consulado e todos os documentos ali guardados.

Já em 1941, Otto Frank haveria de tentar novamente tirar a família do país, mas não conseguiu fazê-lo porque todos os consulados americanos na Europa ocupada pela Alemanha, incluindo na Holanda, tinham sido encerrados. Cuba também terá estado na mira do pai de Anne Frank, que chegou inclusive a pedir um visto para a família poder mudar-se para ali, mas sem obter nenhuma resposta de volta.

Citados pela revista “Time”, os historiadores envolvidos na investigação esclareceram que “o consulado americano nunca negou explicitamente os vistos à família de Anne Frank, tendo os seus esforços para sair do país caído por terra devido à guerra e à burocracia americana”.

Impossibilitada de sair do país, não restou à família outra opção senão refugiar-se num esconderijo construído num anexo da sua casa, em 1942. Foi durante os dois anos em que estiveram ali escondidos que Anne Frank escreveu o seu famoso diário. Em 1944, a família foi descoberta e deportada para Auschwitz. Apenas Otto Frank sobreviveu à guerra. Anne Frank e a irmã morreram no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha.