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Facebook identifica excerto da Declaração de Independência como “discurso de ódio” e apaga-o

LOIC VENANCE/GETTY IMAGES

O post em causa tinha sido publicado por um jornal local do Texas para comemorar o aniversário do documento fundador dos EUA

Luís M. Faria

Jornalista

É mais uma demonstração dos riscos da correcção política aplicada automaticamente - e da inteligência artificial. A propósito do aniversário da Declaração de Independência americana, um jornal local do Texas estava a publicar diariamente excertos da Declaração no Facebook. A certa altura, surgiu uma passagem onde se acusava o rei Jorge III (com quem os Estados Unidos fizeram guerra para conquistar a independência) de incitar os "selvagens índios sem misericórdia", i.e os nativos americanos, contra os americanos de origem europeia.

O post foi logo apagado e o jornal recebeu um aviso do Facebook a dizer que ele "vai contra os nossos standards de liberdade de expressão". Pelos vistos, o algoritmo do Facebook tinha sinalizado a referência aos nativos como "discurso de ódio". O jornal reclamou, e o Facebook voltou a pôr o post em linha e pediu desculpa, explicando que tinha havido um erro e todos os bloqueios àquela conta tinham sido levantados.

O jornal, por sua vez, agradeceu ao Facebook. "Nunca tivemos dúvidas de que o Facebook ia consertar a situação, mas também não duvidámos da utilidade de os chatear um bocadinho". Notando que o Facebook se tornou um instrumento indispensável para chegar aos seus leitores, o editor do The Vindicator (em Liberty, Texas), o jornal em causa, reconheceu que dificilmente está em posição de reclamar de uma plataforma que, ao fim e ao cabo, usa de graça. E sugeriu que se calhar parte do problema, justamente, é a dependência ter-se tornado excessiva.