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Ex-advogado de Trump, sob investigação criminal e pressionado a falar sobre o presidente, contrata ex-advogado de Bill Clinton

Spencer Platt/Getty Images

É mais uma indicação de que a estratégia de Michael Cohen passou a ser salvar a sua pele, e já não defender o presidente a todo o custo

Luís M. Faria

Jornalista

O ex-advogado de longa data do presidente americano apagou essa referência profissional nas suas páginas das redes sociais. Michael Cohen, que, entre outras coisas terá tratado de pagamentos feitos a mulheres que tiveram sexo com Donald Trump para elas não falarem sobre o assunto, está atualmente a ser investigado pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga as ligações da Rússia à campanha presidencial de Trump. E acaba de contratar um famoso advogado que representou Bill Clinton nos anos 90.

Nos termos da sua nomeação, e como é habitual em casos do género, Mueller tem uma autorização genérica para investigar outros crimes com que se depare durante a sua investigação. Terá descoberto muito de suspeito no passado de Cohen - que foi empresário da indústria dos táxis, com alegadas ligações a grupos criminosos - e a sua equipa poderá estar a pressionar o advogado para chegar a um acordo.

A troco de uma pena suspensa ou mais leve, Cohen contaria aquilo que sabe acerca de Trump, quer no que respeita a pagamentos a mulheres em troca de silêncio, quer na própria matéria central do inquérito, em particular o encontro que os filhos de Trump tiveram na Trump Tower em 2016 com uma advogada russa próxima do Kremlin que lhes prometia informação comprometedora para Hillary Clinton.

O 'fixer' de Trump

Mais do que advogado - a sua competência legal é muito discutida - Cohen funcionou como 'fixer' de Trump durante muito tempo, tratando-lhe questões potencialmente embaraçosas de forma discreta. Vangloriava-se da sua ligação ao milionário, chegando a dizer que aceitaria levar com uma bala dirigida ao milionário. Pela sua parte, Trump gozava frequentemente com ele em privado, e não só.

Quando a investigação de Mueller começou a apertar, e em especial depois de o FBI fazer buscas ao escritório e à casa de Cohen, começaram a circular rumores sobre um eventual entendimento com o FBI.

Trump distanciou-se publicamente dele, admitindo que lhe tinha tratado de uma pequena dos seus assuntos e chamando-lhe "bom tipo" (o tipo de afirmação que Trump costuma fazer quando abandona as pessoas que trabalham para ele - por exemplo, o ex-secretário de Estado Rex Tillerson, quando o despediu).

Lanny Davis entra em campo

Ao mesmo tempo, Trump afirmou no Twitter que os procuradores às vezes pressionam as pessoas para fazerem declarações falsas, e ele esperava que isso não viesse a acontecer com Cohen. O qual, por sua vez, explicou há dias que a sua primeira lealdade era para com a sua mulher e os seus filhos - ou seja, implicitamente, não para com Trump. E mudou de advogados.

O primeiro sinal de que a sua estratégia de defesa podia estar a virar foi a contratação de um advogado que em tempos foi figura proeminente na procuradoria de Nova Iorque, e entretanto se especializou em negociar 'plea bargains'. Como os problemas legais de Cohen têm largamente a ver com as suas atividades na cidade, isso deu uma indicação de que ele podia estar interessado a chegar a um acordo.

Agora as indicações reforçaram-se com a notícia de que Cohen contratou Lanny Davis, um famoso advogado criminal que teve como cliente, entre outros, o ex-presidente Bill Clinton.