Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Scott Pruitt, o “ministro” do ambiente de Trump envolto em escândalos, abandona o cargo

O "ministro" do Ambiente de Trump demitiu-se envolto em escândalos, por exemplo, de peculato

Mark Wilson/Getty

Scott Pruitt demitiu-se esta sexta-feira depois de terem surgido acusações à sua conduta na Agência para a Proteção do Ambiente. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou a decisão e já tem um novo nome para diretor interino do equivalente norte-americano ao Ministério do Ambiente

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aceitou esta quinta-feira o pedido de demissão feito pelo Administrador da Agência para a Proteção do Ambiente, Scott Pruitt, que se segue às várias notícias que têm sido publicadas sobre a conduta pouco profissional do homem que era efectivamente o ministro do Ambiente de Trump.

"Aceitei o pedido de demissão de Scott Pruitt como Administrador da Agência para a Proteção do Ambiente", disse o Presidente na rede social Twitter, acrescentando um agradecimento: "Dentro da Agência o Scott fez um trabalho excecional e sempre lhe estarei grato por isso". O diretor interino da Agência será Andrew Wheeler.

Não será tão prolífico a fabricar escândalos mas, no que ao ambiente diz respeito, Wheeler não se deve afastar da linha seguida por Pruitt já que era o seu número dois. Wheeler já foi lobista para várias empresas de extração de carvão. Até ao ano passado trabalhava para a Murray Energy Corporation a maior empresa de extração de carvão do país e um dos maiores opositores aos planos de Obama para regular de forma mais restritiva as emissões das centrais. Mas antes disso trabalhou para o “campeão dos céticos” em matérias ambientais.

Foi consultor legal de Jim Inhofe, senador republicano pelo Oklahoma que considera que ensinar ciência ambiental é “lavagem cerebral”. O mesmo Inhofe protagonizou uma das mais bizarras cenas de sempre no Senado trazendo uma bola de neve para mostrar que aos restantes senadores que o aquecimento global não passava de histerismo.

Múltiplos inquéritos foram lançados oficialmente, desde há meses, pelo inspetor-geral da Agência de Proteção do Ambiente (EPA, na sigla em inglês), por dois serviços federais independentes e ainda pela Câmara dos Representantes.

Todas estas investigações, segundo o artigo da AFP, têm um fio comum: desde que assumiu funções em 2017, Scott Pruitt, antigo procurador-geral do Estado do Oklahoma e amigo assumido da indústria petrolífera, parece ter aproveitado a sua função para melhorar o seu nível de vida e o da sua família, violando várias leis federais e punindo os subordinados que levantem objeções ou que não mostrem a lealdade que ele esperava deles.

Tudo começou por despesas de viagens excessivas, em primeira classe ou em aviões fretados à custa dos contribuintes, ao contrário do que estipulam as regras governamentais. Depois, descobriu-se a quantidade exagerada de guarda-costas que lhe estão afetos, 24 horas sobre 24 horas, mesmo no estrangeiro, por um custo que é praticamente o dobro dos seus antecessores. Pruitt determinou também a instalação de uma cabine telefónica nos seus escritórios de Washington, por 43 mil dólares (37 mil euros), uma soma que foi considerada excessiva.

A AFP adianta que "para as suas despesas pessoais, o homem era mais cuidadoso". Conseguiu assim, através de amigos lobistas, alugar um grande apartamento em Washington, apenas por 50 dólares por noite, quando dormia na capital, um preço que desafia toda a concorrência e que levantou suspeitas de favoritismo. Para estes assuntos pessoais, utilizava alguns membros do seu gabinete como verdadeiros assistentes pessoais, a quem encarregava de lhe encontrarem um apartamento, obterem bilhetes para um jogo ou ajudar a mulher a encontrar emprego, refere a agência.

No que toca ao trabalho propriamente dito estava ao lado de Trump em quase tudo, e por isso também disse várias vezes que não havia provas de que o aquecimento global era culpa da ação do homem e ajudou a desmantelar as medidas impostas por Barack Obama para controlo das emissões de CO2 apoiando até um levantamento dessas restrições para os automóveis e camiões.