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Internacional

Migrações e humanidade: Merkel e Orbán expõem divergências durante conferência conjunta

Carsten Koall / Getty

No decurso de uma conferência de imprensa conjunta em Berlim, os dois líderes confrontaram abertamente as suas posições divergentes sobre a questão migratória

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta quinta-feira que a proteção das fronteiras externas da União Europeia (UE) não pretende tornar o bloco numa "fortaleza" mas antes terminar com o negócio dos traficantes, e defendeu o reforço da cooperação com África.

No decurso de uma conferência de imprensa conjunta em Berlim com o homólogo húngaro Viktor Orbán, os dois líderes confrontaram abertamente as suas divergentes posições sobre a questão migratória, com Merkel a sublinhar que a Europa deve ajudar os imigrantes e, em cooperação com os países africanos, garantir "contingentes [de migrantes] legais". "A diferença reside em que não podemos esquecer que no final se trata de pessoas que vêm até nós. E isso tem algo que ver com os fundamentos europeus, isto é, com a humanidade", indicou a chanceler.

Na perspetiva da dirigente alemã, que sobreviveu no fim de semana a uma crise política no Executivo devido à questão migratória, é importante "a proteção das fronteiras externas, mas não apenas com o objetivo de isolar" a UE do exterior, de converter o bloco comunitário "numa fortaleza", mas antes de acabar com o "desumano" negócio das máfias e dos traficantes de pessoas. "Estou convencida que combater os traficantes é correto", sublinhou.

No entanto, e caso a UE pretenda preservar a sua "humanidade" e "uma função no mundo com os seus valores", não poderá "ignorar a urgência e o sofrimento" dos migrantes e deverá aplicar mecanismos alternativos à imigração ilegal. Nesta perspetiva, referiu-se à opção de "contingentes legais" e de quotas para estudantes e trabalhadores especializados numa "associação com África". "Isto tem muito a ver com a Europa e com os seus valores", frisou a chefe do Governo de coligação germânico.

Por sua vez, Orban considerou que as demonstrações de "humanidade" da Europa não devem originar um "efeito chamada" e restringiu a solidariedade entre os dois continentes à cooperação e desenvolvimento dos países africanos.

O primeiro-ministro húngaro acrescentou que o seu Governo não pretende "importar problemas" e negou qualquer ausência de solidariedade, alegando que o seu país mantém centenas de homens armados nas fronteiras para que os fluxos migratórios não avancem em direção ao norte da Europa. "Se a Hungria não defendesse a sua fronteira, a Alemanha assistiria à chegada diária de 4.000 a 5.000 imigrantes", advertiu.