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Internacional

Homem que atropelou e matou mulher em Charlottesville diz-se inocente em tribunal

Depois da morte de Heather Heyer a cidade de Charlottesville uniu-se em várias homenagens. Heyer era conhecida pelo seu ativismo

Anadolu Agency/Getty

Alex Fields, o homem de 21 anos que em agosto guiou o carro contra um grupo de pessoas que protestava contra a presença da extrema-direita na cidade, nega todas as acusações que lhe são imputadas pelo Ministério Público. Uma mulher morreu na consequência do atropelamento e uma das acusações que Fields enfrenta é a de homicídio

Era um confesso admirador de Adolf Hitler. O seu apoio a ideias supremacistas foi expresso pelo próprio, diversas vezes, nas redes sociais. Pouco tempo antes dos protestos de Charlottesville, defendeu a ideologia que levou ao Holocausto.

Na manhã em que haveria de guiar um carro a velocidade elevada sobre um grupo de pessoas que protestavam contra as manifestações de extrema-direita na cidade, juntou-se a quem gritava pela segregação. Um membro da sua família pediu-lhe, naquele dia, que tivesse cuidado no protesto e, em resposta, James Alex Fields escreveu: “Quem precisa de ter cuidado são eles”. Em anexo, na mensagem escrita, uma fotografia do antigo chanceler alemão.

Tudo isto ouviu o tribunal, por parte do Ministério Público, nesta quinta-feira, no primeiro dia do julgamento de Fields, que atropelou e matou uma mulher, Heather Heyer, na localidade norte-americana de Charlottesville, Virgínia, no dia 12 de agosto de 2017. São-lhe apontados mais de 30 crimes, incluindo homicídio.

Alex Fields nega todas as acusações e disse ao juiz que está a ser acompanhado e medicado por ser bipolar e sofrer de défice grave de atenção, ansiedade e depressão. Ainda assim, Fields garantiu que entende as acusações que lhe são imputadas. O juiz não autorizou caução.

O protesto “Unir a Direita” reuniu centenas de defensores da supremacia branca em Charlottesville em protesto contra os planos das autoridades locais em remover uma estátua do general Robert E. Lee, nome cimeiro da Confederação anti-abolicionista. Depois desse protesto, outro contra ele se seguiu e, após os confrontos, a polícia decidiu separar as duas fações. O Ministério Público alega que Fields investiu com o seu carro sobre uma multidão que sabia ser aquela que estava a protestar contra a extrema-direita por ser racialmente muito mais diversa.