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Alemanha, Áustria e Itália vão discutir formas de fechar a rota do Mediterrâneo aos migrantes

Christopher Furlong/Getty

Os três países vão reunir-se para a semana para discutirem forma de fechar a rota do Mediterrâneo, por onde chega a esmagadora maioria dos migrantes que pretendem estabelecer-se Europa. O "super-europeísta" belga Guy Verhofstadt foi esta semana garavado a discursar contra o que considera o "populismo" de alguns países que se recusam a aceitar migrantes - e há razões pelas quais se tornou viral

Alemanha, Áustria e Itália vão reunir-se na próxima semana para discutir formas de encerrar a rota do Mediterrâneo, por onde milhares de migrantes chegam à Europa, principalmente a partir de África, avançou esta quinta-feira a agência de notícias Reuters. Itália, que tem sido um dos países que maior desagrado tem expressado em relação ao fluxo de migrantes, classificou a situação como "urgente e perigosa".

A decisão conjunta dos três países chega depois de a chanceler alemã Angela Merkel ter concordado, pressionada pelo seu ministro do Interior, em estabelecer centros de detenção e processamento de migrantes na fronteira com a Áustria, de onde as pessoas que não conseguirem provar as suas razões para pedir o estatuto de refugiado serão devolvidas aos países por onde entraram na União Europeia.

Depois de assinado o acordo, a Áustria mostrou-se preocupada com o facto de que esses migrantes fiquem no país, numa espécie de "limbo" - coisa que o partido do chanceler Sebastian Kurz, de extrema-direita no que à imigração diz respeito, se recusa a aceitar. Depois de ter-se reunido com Kurz, o ministro do Interior alemão, Horst Seehofer, que ameaçou fazer cair o governo de Merkel caso ela não aceitasse medidas mais restritivas ao fluxo migratório, disse que Berlim "não deixará nas mãos dos austriacos migrantes que já tenham pedido asilo em outros países".

"Acordamos que, na próxima semana, haverá uma reunião entre os ministros do Interior da Alemanha, da Áustria e da Itália com o objetivo de tomar medidas que fechem o Mediterrâneo à entrada de pessoas, medidas que garantam que a imigração ilegal por esta rota deixe de ser possível", disse Kurz numa conferência de imprensa.

Em Roma, Matteo Salvini, que mantém posições, em relação à imigração, em linha com as de Kurz, disse que antes de receber sequer "um requerente de asilo" de outro país há condições que precisam de estar asseguradas: "Queremos ver um calendário preciso com as chegadas, saber os custos, que recursos existem, tanto humanos como financeiros, e de que forma é que a União Europeia nos vai ajudar a defender as nossas fronteiras", disse o ministro do Interior italiano depois de se encontrar com o vice-primeiro-ministro da Líbia, de onde chegam a maioria dos migrantes que ali se concentram, vindo de outros países, para depois rumarem à Europa.

Quem não parece muito contente com esta concertação de vontades no seio da Europa é Guy Verhofstadt, membro do parlamento europeu e forte europeista que, na terça-feira, atacou as políticas que considera "egoístas e populistas" de alguns países europeus, nomeadamente Hungria e Áustria, dois dos que mais se têm oposto a receber uma parte dos migrantes que chegam a Itália.